12 de dezembro de 2016

Resenha | Vivian contra o Apocalipse

Título: Vivian contra o Apocalipse (Vivian Apple #1)
Autor: Katie Coyle
Ano de publicação: 2015
Editora: Agir Now
Número de páginas: 288
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Sinopse: Vivian Apple tem 17 anos e mal pode esperar pelo fatídico “Arrebatamento” — ou melhor, mal pode esperar para que ele não aconteça. Seus devotos pais foram escravizados pela Igreja faz tempo demais, e ela está ansiosa para que voltem ao normal. O problema é que, quando Vivian chega em casa no dia seguinte ao suposto Arrebatamento, seus pais sumiram e tudo o que restou foram dois buracos no teto…
Vivian está determinada a seguir vivendo normalmente, mas quando começa a suspeitar que seus pais ainda podem estar vivos, ela percebe que precisa descobrir a verdade. Junto com Harp, sua melhor amiga, Peter, um garoto misterioso que tem os olhos mais azuis do mundo e informações sobre o verdadeiro paradeiros dos seguidores da Igreja (ou é o que ele diz), e Edie, uma Crente que foi “deixada para trás”, os quatro embarcam em uma road trip pelos Estados Unidos. Mas, depois de atravessar quilômetros de eventos climáticos bizarros, gangues de Crentes vingativos e um estranho grupo de adolescentes auto-intitulados os “Novos Órfãos”, Viv logo vai perceber que o Arrebatamento foi só o começo.
Katie Coyle, vencedora do Young Writers Prize do jornal The Guardian em 2012, imagina uma realidade infelizmente muito próxima da nossa, em que capitalismo, política, entretenimento e religião se combinam para criar uma cultura de intolerância que não acaba com o Arrebatamento. Com reviravoltas surpreendentes, um humor mordaz típico da geração Y e personagens femininas que não devem nada a ícones como Buffy e Rory Gilmore, Vivian contra o apocalipse é uma estreia arrebatadora que vai fazer você questionar até onde iria pela verdade.

Nas primeiras páginas, Vivian contra o Apocalipse não se mostra uma distopia muito diferente das demais. Entretanto, conforme as páginas avançavam mais e mais, o livro foi me prendendo e me surpreendendo por abordar alguns clichês de forma diferente.

A história começa na noite do Arrebatamento, quando supostamente todos os Crentes (religião que surgiu há três anos e ganhou enorme popularidade nos EUA) serão salvos, e os Descrentes permanecerão na Terra para sofrer com o fim do mundo. Vivian é uma Descrente, e assim como seus amigos, não acredita no Arrebatamento. Porém, quando chega em sua casa de uma festa, pela manhã, seus pais desapareceram, e há dois buracos no teto do quarto deles.

Vivian é levada pelos avós descrentes para viver em Nova York, no entanto, não consegue suportar viver como se nada tivesse acontecido e foge, voltando para sua cidade para reencontrar Harp, sua amiga que também é descrente e teve os pais arrebatados. Juntas, as duas atravessam o país atrás de respostas, tendo em parte do caminho a ajuda de Peter, que tem seus segredos e sabe algumas coisas sobre a Igreja Americana, e Eddie, uma Crente que não foi arrebatada.

Com essa premissa, Vivian contra o Apocalipse acaba tendo um tom bem diferente dos demais livros YA distópicos. Catástrofes naturais e climáticas e doenças são mencionadas, mas o principal perigo vem das pessoas, principalmente dos Crentes que não foram arrebatados. Além disso, a trama envolve segredos e mistérios, não só a respeito do Arrebatamento como também da família de Vivian, a qual ela procura desesperadamente depois de suspeitar que estão vivos.

Os personagens são interessantes e bem caracterizados, muitas vezes agindo de acordo com sua idade, sem parecerem incoerentemente maduros. Gostei especialmente de como foi desenvolvida a amizade entre Vivian e Harp ao longo do livro. Embora já se considerassem amigas desde o início, é interessante observar que se aproximaram por falta de opção, porque as amigas quietas e estudiosas de Vivian se tornaram Crentes e de repente só sobrou a “turma da bagunça” (e que adolescente quieto e estudioso já não teve preconceito com a “turma da bagunça”?). Entretanto, ao longo do livro, a amizade das duas vai se tornando mais verdadeira, entre decepções e desentendimentos.

O romance existe, é claro (e você já deve ter adivinhado quem é o par romântico de Vivian, mesmo se não leu o livro). Achei que faltou um pouco de desenvolvimento (as coisas surgiram rápido demais), e em alguns momentos os personagens fazem coisas românticas quando era de se esperar que estivessem preocupados demais com outros assuntos para pensar nisso. No entanto, o romance não toma mais espaço do que deveria, e Vivian em nenhum momento esquece de Harp, de seus pais ou de seus objetivos para namorar, e nem se torna extremamente dependente de Peter.

Ainda em relação aos personagens, achei interessante a forma como a autora desconstruiu a figura dos pais, que diferente do que acontece nos outros livros, não são as figuras maduras e responsáveis na vida de Vivian, e ao longo do livro ela descobre muitas coisas sobre seus pais que eles esconderam (o que emprestou uma camada de profundidade a eles e à própria Vivian).

A narrativa é em terceira pessoa, no tempo verbal passado, e embora seja bem simples (adequada ao público alvo), cumpriu seu papel de me manter imersa na história (tanto que acabei lendo o livro em apenas uma noite).

Gostei da forma como a religião (algo que acaba esquecido em outras distopias) foi abordada. Criar uma nova religião para discutir certos temas foi uma sacada interessante, já que a crítica não é feita à religião em si, mas sim à instituição e a como seus donos se aproveitam das crenças das pessoas.

O final, como era de se esperar, traz a grande revelação sobre o que é o Arrebatamento. Não é algo totalmente inesperado, mas não foi isso que me decepcionou. Achei que o vilão foi muito enfraquecido, o que tirou um pouco da tensão e da sensação de perigo, de “tudo está perdido”. No entanto, pontas soltas foram deixadas para o próximo volume, e mais algumas surpresas são reveladas nas últimas páginas. Apesar da pequena decepção com o clímax da história, no geral gostei bastante do livro e acabei ficando curiosa para conferir o segundo volume.

Avaliação:

Trama: 4
Narrativa: 4
Personagens: 4
Caracterização: 5
Coerência: 5
Criatividade: 4
Revisão: 5 




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