30 de setembro de 2016

Setembro Azul | 5 dicas de escrita para representar personagens surdos

Segunda-feira foi o Dia Nacional do Surdo e eu fiz um post com algumas recomendações de livros e discuti a representatividade de pessoas surdas na literatura, especialmente na fantasia. Mas hoje, 30 de setembro, é o Dia Mundial do Surdo, por isso a blogagem coletiva sobre o Setembro Azul ainda não acabou.

5 dicas de escrita para representar personagens surdos

Confira os posts dos demais participantes da Iniciativa BLU:

Como comentei no post de segunda, a representatividade de personagens surdos (ou com qualquer outro tipo de deficiência) é baixíssima na fantasia (como você viu, só consegui listar três livros, com exceção dos biográficos). Mas para você que é escritor e tem interesse em mudar isso, decidi reunir algumas dicas para conseguir uma boa representação, no mesmo modelo que fiz na postagem sobre o Setembro Amarelo.

Antes de começar, porém, gostaria de lembrar que este é apenas um guia, uma lista de dicas que podem dar um norte para você organizar suas pesquisas. Este post não é, de nenhum modo, uma lista completa de tudo o que você precisa saber para retratar personagens surdos em seus livros de ficção. Por isso, vamos à primeira dica, que é…

1. Pesquise!


Para escrever essas duas postagens, eu fiz uma pesquisa básica no Google e encontrei muito material sobre o assunto, desde os diferentes tipos de surdos e surdez até as dificuldades que as pessoas com essa deficiência enfrentam no dia-a-dia. Dessa forma, não tem desculpa para não dedicar ao menos algumas horas a uma pesquisa, porque, como você deve saber muito bem, ela é importante para que você consiga representar seu personagem de forma realista e coerente, sem disseminar mitos ou até mesmo ofensas. O que nos leva à segunda dica…

2. Evite disseminar mitos sobre o assunto


Como você deve imaginar, existem muitos mitos sobre a surdez (você pode ler alguns exemplos aqui e aqui). E, muitas vezes, eles acabam sendo associados a preconceitos ou outras ideias e atitudes que podem ser desconfortáveis para quem tem a deficiência. Muitos desses mitos vêm do desconhecimento, e por isso é importante falar sobre o assunto e quebrar tabus. Por isso você não quer passar as ideias erradas com a sua história, certo?

3. Procure por relatos pessoais


É claro que é muito importante conhecer detalhes sobre a surdez em si e seus possíveis tratamentos (ainda não existe cura), mas os relatos pessoais (você pode encontrar muitos pela internet) são um ótimo complemento. Neles as pessoas falam sobre o dia-a-dia, as dificuldades que enfrentam, como se sentem sobre elas — e você pode se inspirar nisso para construir seu personagem. Aqui estão três blogs que podem ser de grande ajuda (não só em relação aos relatos pessoais como também sobre muitos outros detalhes importantes sobre a surdez): As 1001 Nuccias | Crônicas da Surdez | Desculpe, não ouvi! Os livros autobiográficos que citei na outra postagem (Pérolas da Minha Surdez e Crônicas da Surdez, por exemplo) também podem ser de grande ajuda.

4. Coloque-se no lugar do personagem


É algo para prestar atenção enquanto você estiver escrevendo (ou revisando). Aqui é importante manter a coerência e não se esquecer dos detalhes nas descrições, na narrativa e nos diálogos. A surdez é algo que afeta muito a comunicação, como também diversos outros aspectos da vida de uma pessoa que você, ouvinte, pode não imaginar em um primeiro momento (como ele saberia que a campainha está tocando, por exemplo, ou como a casa dele seria adaptada?).

Confira:

Nas descrições, utilize-se dos demais sentidos. Você já deve ter ouvido falar da regra dos cinco sentidos, bastante útil para te ajudar a criar uma descrição imersiva — mas aqui ela poderia te ajudar a destacar a surdez do personagem, de forma que, caso seu trabalho seja bem feito, talvez nem seja necessário dizer, com todas as palavras, que determinado personagem é surdo.

Pense também nos possíveis problemas que ele teria devido à falta de acessibilidade e em como ele se sentiria ao deparar com eles. Se a sua história se passar em um mundo alternativo, trabalhe também o worldbuilding: quais os tratamentos existentes? Quais as ferramentas disponíveis para trazer acessibilidade a essas pessoas?

Confira:

5. Não limite o papel de seu personagem na história à deficiência dele


A surdez obviamente afeta grande parte da vida de uma pessoa, mas, mesmo assim, elas têm amigos, família, hobbies, profissões e projetos de vida. Exceto por não ser capaz de ouvir, é uma pessoa como todas as outras. Por isso é importante que seu personagem não seja caracterizado como um incapaz ou como um coitadinho (e, dependendo da personalidade dele, é bem capaz que reaja caso outros personagens o tratem dessa forma). Esse personagem, assim como os demais, pode participar ativamente da história e ter sua contribuição no andamento da trama — ele não se resume à sua deficiência.

***


E são essas as dicas; espero que sejam úteis e te ajudem a construir seu personagem e seu mundo. E, claro, espero que o post tenha te inspirado a explorar novos assuntos e personagens! Fique à vontade para trazer dúvidas, debates e correções, se as achar necessárias.

2 comentários :

  1. Oi, Laís!!
    Adorei sua postagem! Achei as dicas super pertinentes, muito bem elaboradas e tenho certeza que vai ajudar um bocado de escritores caso eles decidam (\o/) por criar um personagem com perda auditiva! Até eu salvei a postagem em meus favoritos p me lembrar de manter as perspectivas quando criar a minha próxima personagem! E obrigada pelas indicações! Beijão!

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    Respostas
    1. Olá, Nuccia!
      Que bom que gostou!
      Beijos e obrigada pela visita!

      Excluir

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