23 de setembro de 2016

Especial Contos de Taverna | Entrevista: Renan Santos

Continuando com a série de entrevistas com os autores de Contos de Taverna, hoje trago a entrevista com Renan Santos, presente na antologia com o conto A Canção das Sereias.


Sonhos, Imaginação & Fantasia: Em primeiro lugar, deixe que os leitores te conheçam: fale um pouco sobre você.
Renan Santos: Olá, pessoal! O que falar de mim? Bem, sou bacharel e mestre em Matemática pela Universidade Federal do Ceará e atualmente estou no segundo ano do doutorado no Instituto de Matemática Pura e Aplicada. Sou viciado em jogos on-line, curto uns animes e umas séries e adoro música. Sou uma das poucas pessoas que assistiu Battlestar Galactica, que considero a melhor sci fic de todas, e também gostei do final de Lost (me julguem). No campo das letras, já publiquei alguns textos em coletâneas ou no meu blog. Também sou o (ir)responsável pelas mídias sociais do Clube de Autores de Fantasia.

SI&F: O que te despertou o desejo de passar histórias para o papel (ou para a tela)?
Renan: Eu sempre fui uma pessoa imaginativa. Quando criança, inventei mil histórias na minha cabeça, a maioria delas com um roteiro muito louco. À medida que fui crescendo, as histórias começaram a tomar um tom mais sério. Mas o grande pontapé inicial foi a série Lost, a primeira que realmente acompanhei de maneira sistemática. Eu fiquei louco com a trama, mas o que mais me empolgava eram os mistérios. Foi aí que comecei a inserir uns elementos de mistério nas histórias que eu matutava na cabeça. No começo eu queria escrever um roteiro para Hollywood (eu tinha umas ideias loucas na adolescência), mas depois de adulto eu adquiri bom senso. Então resolvi que era melhor escrever livros com as histórias que tinha na cabeça. A mais promissora parecia ser a que trabalho atualmente, uma fantasia épica meio psicodélica. O grande insight veio quando eu li As crônicas de gelo e fogo e percebi que poderia misturar fantasia com mistérios (quando eu digo mistérios é aquele tipo de coisa que te faz passar horas na internet discutindo teorias em fóruns; soa familiar com Lost e ASOIAF?). E foi assim que comecei a escrever.

SI&F: Sobre o que você mais gosta de escrever?
Renan: Em poucas palavras: fantasia. Claro, meu principal projeto, As crônicas de Erys, é fantasia épica. Mas já escrevi terror psicológico (O devorador de mentes), fantasia urbana (Aquarela de sangue), ficção cômica (Quarenta e dois). Além disso, tenho umas ideias para distopia, space opera, ficção científica e terror.

SI&F: Você já tem algum trabalho publicado? Fale um pouco sobre eles.
Renan: Só tenho contos publicados, até agora. Minha primeira publicação foi na coletânea Imaginarium, da Editora Andross, da qual participei com um conto chamado O ladrão de espíritos e a fênix renascida. É uma história do universo de Erys. Publiquei também O devorador de mentes, na antologia Trópicos Fantásticos, organizada pelo SI&F. É sobre uma mulher que é atormentada por uma entidade que se alimenta de sua sanidade. E, meu trabalho favorito até agora, Aquarela de sangue, publicado na Amazon (e atualmente disponível gratuitamente no Wattpad). O conto é sobre um cara que consegue prever o futuro através de suas pinturas, mas ele só prevê mortes. Tenho também um conto publicado no Wattpad e no blog, chamado Quarenta e dois. É uma homenagem ao Douglas Adams, do qual sou um grande fã, e sua maior obra, O guia do mochileiro das galáxias.

SI&F: Fale um pouco sobre o seu conto para a antologia Contos de Taverna. Como surgiu a ideia?
Renan: O conto se chama A canção das sereias e faz parte do universo do livro que estou escrevendo, As crônicas de Erys. Acompanhamos a história de Reyrón, uma aprendiz da Irmandade da Luz, e sua mestra Lynöre. As duas são enviadas pela Irmandade para investigar um incidente misterioso envolvendo sereias e navios desaparecidos. A Irmandade da Luz é uma instituição poderosa e influente no universo do livro. E, uma de suas atribuições, é treinar jovens com potencial para magia, como a Reyrón. Outra é investigar casos que envolvam magia ou coisas estranhas (sereias, por exemplo). O que mais gosto na história é a relação de amor e ódio que existem entre mestra e pupila, já que as duas tem personalidades bem diferente: Lynöre é uma mestra exigente e dedicada, enquanto Reyrón é uma adolescente rebelde e insolente. Nem sei direito como a ideia do conto surgiu. Eu lembro que tinha uma cena que queria escrever, então resolvi criar uma história em torno dela. Eu queria também fazer uma ligação com a história do livro, por isso aparecem as duas. Lynöre é mencionada no livro e Reyrón é avó de uma das protagonistas.

SI&F: Como é seu processo de escrita?
Renan: Quando comecei a escrever os meus primeiros textos, não tinha muito processo. Eu escrevia no instinto mesmo. Agora eu tenho uma rotina mais certa. Antes de tudo, eu penso no máximo de detalhes e informações possíveis da história: personagens, cenários, contexto histórico, etc… Depois estabeleço um plot geral, bem simples: a histórias começa assim, tem que acontecer isso ou aquilo e termina deste jeito. Como eu mencionei na resposta acima, eu trabalho pensando em cenas. Eu visualizo algumas cenas e monto a história ao redor delas, como se a trama crescesse a partir destes pontos preestabelecidos. Depois faço um esboço mais detalhado da história, fazendo resumo dos capítulos ou partes ou até mesmo cena a cena. Só depois de ter isso bem definido, eu começo a escrever.

SI&F: Você tem algum projeto para os próximos meses, além de Contos de Taverna?
Renan: Eu pretendo reescrever A semente do caos, que é o primeiro livro da série As crônicas de Erys. Espero que esta seja a última reescrita e que esteja pronto até o final do ano.

SI&F: Por fim, que dica daria aos demais escritores? O que você aprendeu com sua jornada até o momento?
Renan: A primeira e mais importante: escreva. Todo dia, de preferência. Sei que é difícil às vezes; eu mesmo não cumpro isso. Mas o importante é tentar escrever com a maior frequência possível, até que vire um hábito. Segundo: estudar técnicas de escrita. Eu mesmo, no começo, achava que não eram essenciais; talvez importantes, mas não imprescindíveis. Eu estava enganado. Estudar técnicas de escrita e drama é fundamental para aprimorar o texto e a técnica. Mas não leve todas elas a sério (até porque muitas são contraditórias). Tentar achar um meio termo e usar aquilo que mais se adapta ao seu estilo é mais sábio.

***


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Confira aqui a resenha de Aquarela de Sangue e saiba mais sobre Trópicos Fantásticos (em que Renan publicou seu conto O Devorador de Mentes) aqui. Leia os demais contos no Wattpad do autor.

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