28 de setembro de 2016

Especial Contos de Taverna | Entrevista: Ariel Ayres

Hoje trago mais uma das entrevistas da série sobre Contos de Taverna. A vítima da vez é Ariel Ayres, que já tem três livros publicados, um conto na Trasgo e contribuiu para a antologia do Clube de Autores de Fantasia com o conto Herói.


Sonhos, Imaginação & Fantasia: Em primeiro lugar, deixe que os leitores te conheçam: fale um pouco sobre você.
Ariel Ayres: E aí, leitores do Sonhos, Imaginação e Fantasia! Bem, meu nome é Ariel Ayres, sou músico, escritor e ator e, no que concerne à literatura, já publiquei três livros e já tive um conto – Casa do Prefeito – publicado na Trasgo, ano passado. Além disso, faço parte do Clube de Autores de Fantasia, que é quem está publicando essa antologia, o Contos de Taverna

SI&F: O que te despertou o desejo de passar histórias para o papel (ou para a tela)?
Ariel: Eu costumo dizer que comecei a passar histórias para o papel (ou, como você colocou muito bem, para a tela) por uma necessidade física, quase. Haviam (e continuam existindo) muitas, mas muitas ideias surgindo em minha cabeça; pedindo, desesperadamente, para serem colocadas no mundo material. Passei, então, quando tinha doze anos, a escrevê-las como roteiros de cinema (exato). A partir daí os livros, contos e músicas começaram a surgir com bastante frequência.

SI&F: Sobre o que você mais gosta de escrever?
Ariel: Por mais que em um primeiro momento eu pareça ter certa predileção por mortes, terror e muito caos, eles não são, exatamente, meus temas preferidos para se escrever. Eu gosto de escrever sobre o ser humano e seus medos, sejam individuais ou sociais. Isso acaba, claro, se desenrolando em livros com muitas mortes, muito terror e bastante caos, mas eu prefiro imaginar isso como sendo uma consequência do tema humano. Se você analisar minhas narrativas, elas sempre vão girar em torno da discussão do viver em sociedade e viver consigo mesmo.

SI&F: Você já tem algum trabalho publicado? Fale um pouco sobre eles.
Ariel: Eu publiquei, fazem alguns anos, três livros: A Chuva, um romance policial cuja narrativa se foca na figura do detetive e de Dimitri, um assassino em série. O livro começa com este assassino se entregando à polícia e, a partir daí, o detetive vai contando a história de como foi caçá-lo. O segundo livro se chama O Quatro e foi totalmente reescrito para uma possível publicação esse ano, ainda. Ele narra o momento em que os quatro elementos – fogo, terra, água e ar – vêm para a terra, invadem o corpo de quatro adolescentes, e usam disso para dizimar toda a raça humana (mortes, terror e caos; etc). O terceiro, enfim, se chama Paenes Umbra e é um romance de contos de terror (ou romance fix-up). Nenhum desses três livros está disponível, no momento. Além de romances, também tenho um conto publicado na Revista Trasgo. Ele se chama A Casa do Prefeito e se passa um mundo steampunk, mostrando a batalha do grupo revolucionário Insurgé pela liberação de sua cidade, Jongur, das garras de um governante perigoso.

SI&F: Fale um pouco sobre o seu conto para a antologia Contos de Taverna. Como surgiu a ideia?
Ariel: Herói, como se chama o conto, foi um grande desafio medianamente imposto por mim mesmo. Ele foge um pouco de meu estilo-padrão, por assim dizer, pois é quase um diálogo desmascarado com quem lê. Ao invés de usar de personagens e situação fantásticas; engodos gramaticais e ilusões poéticas, eu encaro o público de forma mais direta. Eu vou falar de depressão, frustração e falta de amor-próprio de forma objetiva, é o que basicamente digo antes de começar o conto. Herói fala sobre um ferreiro, Rhuro Desaf, e seus últimos minutos de vida. Minutos esses que ele usa para escrever uma carta para quem quer que a encontre. Ao invés de se vangloriar de seus grandes feitos ou de falar sobre seu mundo, ele prefere conversar sobre seus erros em vida. Tudo isso para poder impedir que outras pessoas os cometam também. “Eu gosto de te imaginar como alguém em necessidade; alguém em desespero. Uma vez na vida, pelo menos, eu quero acertar e, se você realmente estiver precisando de ajuda, quero dizer que eu entendo e estou aqui.”, ele diz em um momento da trama. É por aí que o conto caminha.

SI&F: Como é seu processo de escrita?
Ariel: Uma vez conversando com meus amigos do Clube de Autores de Fantasia eu criei dois verbos: janaynar e arielar. O primeiro, janaynar, vem de minha amiga Jana P. Bianchi (também autora da antologia) e é o ato de você ser capaz de planejar o roteiro do que você vai escrever e ser responsável ao ponto de conseguir segui-lo e respeitá-lo. Arielar, por sua vez, é o completo oposto. Se trata de você não planejar budega nenhuma e sair escrevendo o que der na telha e ver onde isso vai terminar. Ao fim, você dá uma lida na confusão literário-gramatical que fez e tenta arrumar a bagunça fazendo com que tudo faça sentido. É o verbo que melhor sintetiza meu processo criativo, tanto literário quanto musical. Falando sério agora: eu costumo dizer que meu momento de criação tem mais a ver com sentir que com planejar. Eu primeiro sinto sobre o que quero falar, se é algo triste, algo assombroso, algo engraçado ou algo violento. A partir daí vão surgindo imagens em minha mente que tenham a ver com esse tom. Imagens de chuva, cenários específicos ou situações diferentes. Com tudo isso vão entrando os personagens com seus nomes e seus jeitos, andando em lugares variados e fazendo o que quer que faziam antes d’eu descobri-los. Depois é só ir organizando essas peças e desvendando a história para poder fechá-la com toda a coesão e coerência que seja possível, mesmo que no fim das contas elas quase não existam, porque os personagens pediram.

SI&F: Você tem algum projeto para os próximos meses, além de Contos de Taverna?
Ariel: No momento eu estou oficialmente parado em minhas produções literárias para me dedicar à música. Eu tenho um conto (A Explosão do Impressionante Centro de Coisas Absolutamente Legais) e dois livros prontos (O Quatro – Versão Negra e Sortílegos). Extraoficialmente estou escrevendo O Fio de Awa’hala, um conto que se passa no Universo Alvores, de Lauro Kociuba. Eu não tenho ideia do que vou fazer com todos eles por enquanto. Provavelmente eu poste os contos na Amazon em algum momento desse ano, de forma discreta, mas, como eu disse, oficialmente estou parado.

SI&F: Por fim, que dica daria aos demais escritores? O que você aprendeu com sua jornada até o momento?
Ariel: Eu diria duas coisas que sempre faço questão de comentar. A primeira é sonhe alto, mas tão alto que, mesmo que você não alcance o que deseja, já terá ido mais longe que qualquer um. Escrever é arte e arte nada mais é do que a expressão mais pura do que somos. É algo intocável, imaterial e impalpável. Não há arte que não venha dos sonhos; não há arte que sobreviva sem os sonhos. Por isso, nunca deixe de sonhar e nunca ache que se sonha alto demais. Acredite em você mesmo e saiba que você vai tão longe quanto você quiser. Tudo é possível com esforço, dedicação e fé, independentemente de onde você a coloque. A segunda coisa é: aprenda a escutar. Mostre seus trabalhos para os outros e escute. Aceite as críticas, entenda-as e leve-as em consideração. Quem não sabe escutar é alguém pretensioso e, definitivamente, alguém pretensioso não vai muito longe.
Enfim, agradeço muito pela oportunidade, Laís! Continue com seu trabalho fantástico, pois esse espaço é muito importante para cada um de nós! Grande abraço!

***


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