26 de agosto de 2016

Resenha | O Homem de Azul e Púrpura

Título: O Homem de Azul e Púrpura (A Canção de Quatrocantos #1)
Autor: V. M. Gonçalves
Ano de publicação: 2014
Editora: Buriti
Número de páginas: 248
Sinopse: O mágico universo de Quatrocantos desdobra-se em uma infinidade de paisagens exóticas, férteis e terríveis, e muitas são as maravilhas que se colocam entre Wayra, o Homem de Azul e Púrpura, e seu destino final. Ele deve encarar o passado sombrio e o futuro incerto para ser bem sucedido em sua missão: avançar até os confins de um território mais vasto que a própria imaginação.
No caminho, bestas desconhecidas, feiticeiros, piratas sanguinários e temíveis mulheres guerreiras. Não há limites para os perigos e prodígios que Quatrocantos oculta em seus vales, desertos e florestas.

O Homem de Azul e Púrpura é o primeiro volume da série A Canção de Quatrocantos, de Vilson Gonçalves, e apresenta ao leitor um mundo muito bem construído — e muito criativo, conforme já destaquei na resenha de O Rei Amaldiçoado. Ao longo do livro, acompanhamos Yuruy Wayra em mais uma de suas grandiosas viagens.

Se você ler a resenha de O Rei Amaldiçoado, vai perceber que eu gostei bastante da proposta, especialmente pelo universo criado pelo autor, que foge completamente do cenário medieval que estamos acostumados (e às vezes cansados) de ver em livros de fantasia. Porém, não gostei de O Homem de Azul e Púrpura tanto quanto de O Rei Amaldiçoado. E o principal motivo foi a narrativa.

O Homem de Azul e Púrpura tem narrador onisciente em terceira pessoa, então, além de Wayra, também podemos conhecer o ponto de vista de outros personagens, como Pukakiru e vários outros que aparecem ao longo do livro. Mas o principal problema da narrativa não é a escolha do narrador onisciente ou da terceira pessoa, e sim o fato de ser essencialmente descritiva. Ou, mais especificamente, o volume delas. Temos descrições sobre tudo: sobre as roupas, as pessoas, comidas, construções, costumes. E, embora elas sirvam para apresentar um universo tão detalhado e tão criativo, prejudicaram bastante o ritmo: eu não conseguia ler mais do que algumas páginas por vez.

As partes em que havia narrativa não me empolgaram muito, também. O autor conta muito, em vez de mostrar, e por esse motivo eu não consegui me sentir dentro da história, e nem me sentir impelida a virar as páginas para descobrir o que viria a seguir. Isso acabou prejudicando um pouco os personagens, também: não há muito espaço na narrativa para que eles mostrem quem são (mesmo os diálogos, em sua maioria, servem para apresentar o universo).

O enredo não me empolgou muito. Antes de ler, eu não esperava um enredo premeditado, com vilões ou antagonistas perseguindo o protagonista com um motivo específico, e sim uma aventura, em que um viajante caminharia pelo o mundo encontrando perigos e conflitos que não necessariamente estivessem conectados um ao outro — um tipo de enredo de que também gosto muito. E o início do livro, ao mostrar (ou mencionar) uma guerra, aumentou ainda mais minha expectativa quanto a esse tipo de narrativa. Entretanto, senti falta de conflito. Não de ação propriamente dita (nem só de batalhas e mortes se faz um livro), mas de conflitos em geral, daqueles momentos em que tememos o que pode acontecer com um personagem a seguir. Especialmente pelo fato de Wayra estar viajando na companhia de várias pessoas e passando por diferentes locais e com culturas bastante distintas, o que traria bastantes oportunidades de conflitos.

No fim, o que realmente me agradou nesse livro foi mesmo o worldbuilding. É bastante perceptível que Quatrocantos foi construído nos mínimos detalhes. Vilson pensou em tudo: fisionomia, vestes, comidas, na sonoridade dos nomes (tanto que é bem fácil ver que cada conjunto de nomes pertence a uma cultura diferente), na organização de cada sociedade. Além disso, todos os elementos foram pensados de forma bastante criativa, que fogem bastante daquilo que se costuma ver em outros livros de fantasia.

Alguns erros de digitação escaparam à revisão, entretanto, não foi nada que prejudicasse o entendimento ou a leitura.

Em resumo, O Homem de Azul e Púrpura é um livro que me encantou pelo cuidado com o worldbuilding, mas que não me ganhou na narrativa e no enredo. Se para você o ritmo da narrativa não é muito importante, certamente é um livro que eu recomendaria. A viagem por Quatrocantos valeu a pena, e eu certamente leria mais contos de Vilson Gonçalves.

Avaliação:

Trama: 3
Narrativa: 1
Personagens: 2
Caracterização: 5
Coerência: 4
Criatividade: 5
Revisão: 4


Nenhum comentário :

Postar um comentário

Sinta-se à vontade para deixar opiniões, dúvidas e sugestões. Se tiver um blog, deixe o link ao final de seu comentário para que eu possa visitá-lo.

Ao comentar, tenha bom senso (ou leia isto), de modo a evitar que seu comentário não seja publicado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...