Título: Filhos da
Lua: o Legado (volume 1)
Autor: Marcella
Rossetti
Ano de publicação:
2015
Editora:
Independente
Número de páginas:
560
Sinopse: Você consegue imaginar que a vida que te ensinaram a viver pode não ser aquela para a qual nasceu? Que tudo o que acredita pode não ser inteiramente verdade? E que existem criaturas conhecidas como trocadores de pele vivendo entre nós?
Em Filhos da Lua: o Legado, você descobre um novo universo de fantasia urbana, tendo como cenário inicial a cidade de Santos, em São Paulo. A autora apresenta uma aventura cheia de mistérios cuja personagem principal é Bianca, uma adolescente que não imagina que sua chegada na cidade desencadearia uma série de acontecimentos capazes de transformar completamente a sua vida e revelar os segredos de um perigoso mundo.
Conheci Filhos da Lua
em um dos muitos eventos online sobre literatura nacional de que costumo
participar. Ganhei marcadores da série nesse evento e, como a premissa me
interessou (e como achei a ilustração linda), assim que o livro ficou gratuito
na Amazon, não tive dúvidas. E não me decepcionei nem um pouco.
![]() |
| Marcadores que ganhei da Marcella Rosseti em um evento literário. |
Filhos da Lua
pode, no início, ser muito parecido com Harry Potter, mas aos poucos essa
impressão se desfaz. Bianca Fernandes acredita ser apenas uma adolescente
normal (ou quase normal, já que sofre de sonambulismo) que está tentando se
adaptar a uma nova cidade e um novo colégio. Ela inclusive é órfã e acredita
ter perdido a mãe e o padrasto em um assalto, sendo que nunca conheceu o pai.
Bianca por isso vive com Laura, filha de seu padrasto e,
para todos os efeitos, sua irmã. A princípio devido ao trabalho desta como
restauradora, mudam de cidade em cidade conforme Laura assume novos projetos, e
há pouco tempo se instalaram em Santos, no estado de São Paulo. Bianca se
enturma em sua nova escola, conhecendo personagens que se revelam muito
importantes no decorrer da trama, como Nicole, Lucas e Julian, e aos poucos vai
se enredando em mistérios e perigos que logo lhe trazem uma revelação: ela é
uma Karibaki, o nome com que a autora decidiu chamar seus lobisomens.
Gostei muito dos Karibakis e da maneira como a autora
construiu a espécie, seus poderes e sua história e cultura. Eles são divididos
em diversas linhagens e, como é comum em muitas histórias de fantasia urbana,
escondem sua condição da sociedade em geral e até mesmo têm um lugar próprio
para viver. E isso tudo é muito bem explorado ao longo de todo o enredo.
Enredo este que é bem interessante e foi bem bolado, com
mistérios que se desvendam aos poucos, boas cenas de ação e excelentes
reviravoltas. Como é uma história adolescente, há, é claro, um pouco de
romance, mas em nenhum momento eu senti que ele tomou mais espaço do que
deveria (embora eu não tenha gostado muito do triângulo amoroso). Inclusive os
Karibakis têm regras bem restritas quanto ao romance, então mesmo esta parte se
mostrou necessária e bem aproveitada.
Além disso, a história tem bons personagens e as relações
entre eles são bem construídas, então não temos amizades ou namoros surgindo do
nada. Gostei especialmente da relação entre Bianca e Laura. Como a narrativa é
em terceira pessoa, ela se alterna entre alguns dos vários personagens, por
isso é possível conhecer ao menos um pouco de cada um, o que foi um ponto muito
positivo.
E eu gostei muito da narrativa. A revisão tem alguns
deslizes (principalmente períodos separados por vírgula, quando estes exigiam
ser separados em duas frases distintas por ponto final e uso de palavras como
“ontem” e “aqui”, que numa narrativa em terceira pessoa soaram estranhas) e
algumas construções são repetitivas, como esta, logo no primeiro capítulo:
“Sentiu um aperto no estômago, Laura estava com medo”.
Aqui a autora conta que Laura estava com medo, ainda que na
mesma frase tenha mencionado uma sensação que poderia já indicar o medo. Mas de
resto não tenho de reclamar, pois a escrita não é apressada e se detém nas
cenas e personagens pelo tempo necessário para envolver o leitor e explorar
todo o potencial. E, com a trama extensa e o grande número de personagens, além
de um novo universo para ser apresentado, as 560 páginas realmente se fazem
necessárias.
A ambientação também é excelente. As localidades em Santos
foram citadas de maneira natural, sem dar direções demais e ao mesmo tempo sem
deixar o leitor (especialmente para quem não conhece a cidade) perdido. O
Refúgio, o lar dos Karibakis, de início pode também lembrar Hogwarts, mas é bem
diferente com sua tecnologia de ponta e sua filosofia voltada para o combate.
Aliás, a adaptação de Bianca ao refúgio e aos costumes dos Karibakis foi
retratada de maneira bem realista: devido ao seu atraso, ela sente dificuldades
para acompanhar sua turma e muitas vezes passa vergonha pela falta de
conhecimento sobre a cultura de sua raça.
O final traz muitas cenas de ação, uma revelação importante
e fecha o primeiro volume de maneira satisfatória. Foram deixados ganchos para
os próximos volumes, mas sem passar a impressão de que o livro é incompleto,
apenas uma parte de um todo.
Em resumo, Filhos da
Lua foi uma leitura que me agradou muito e uma excelente (e corajosa, se
considerarmos as 560 páginas) estreia. Mal posso esperar para conferir a
continuação.
Avaliação:
Trama: 5
Narrativa: 4
Personagens: 4
Caracterização: 5
Coerência: 5
Criatividade: 4
Revisão: 3
ATUALIZAÇÃO: conversei com a autora e ela me disse que o livro agora será publicado pela editora Avec, e por isso passou por uma nova revisão. Então os problemas que comentei, em relação à escrita, dizem respeito à primeira edição, publicada de forma independente. Se você adquiriu o e-book pela Amazon, basta atualizá-lo (se isso já não tiver sido feito automaticamente).



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