31 de maio de 2016

Resenhando contos #8 | Lidos em maio de 2016

No início desse mês, vários e-books (vários deles de membros do Clube de Autores de Fantasia) ficaram gratuitos na Amazon. Alguns, como Aquarela de Sangue, ou Lobo de Rua, ou os contos de Rodrigo Assis Mesquita (o mais recente parceiro do blog), já foram resenhados aqui, mas muitos eu não tinha lido ainda, então vocês encontrarão as resenhas neste post.


Leia também:

Título: Promessas Antigas
Autor: Lauro Kociuba
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 46
Sinopse: Quando um autor meio maluco e entrão resolve invadir, sem nenhuma delicadeza, o universo literário alheio, o que pode acontecer? O que, o que, o que?
Alvores na Galeria Creta, um conto que ficou meio grandinho, grandinho mesmo, mas absolutamente agradável de fazer (e ler quem sabe, não é? É sim). Vocês vão acabar me conhecendo (me chamo Elvis, aqui ao menos, é sim), e vou coordenar esse evento de lançamento. Vão acompanhar minha jornada absolutamente fantástica e grandiosa, com doses de heroísmo e honradez imensas! Imensas, imensas, imensas. Tive que viajar à São Paulo, voltando à Galeria Creta depois de trinta anos para cumprir uma promessa. Porque eu sempre cumpro, sempre, sempre, sempre.
Regado à referências musicais dos anos 80, uma dose de humor ácido, um sabor agridoce no fundo da língua e alguns outros desejos, esse é o conto Promessas Antigas.
E não, não é necessário ter lido nada de nenhum dos dois universos ou dos dois autores, não mesmo. Mas, é uma oportunidade imensa para começar a conhecer, não é? Com certeza.

Promessas Antigas é um crossover de dois universos diferentes: Alvores, criado por Lauro Kociuba, e A Galeria Creta, criado por Jana P. Bianchi. No conto, o protagonista é Elvis, um homem misterioso que vem de Curitiba para São Paulo a fim de retornar à Galeria Creta e cumprir uma promessa.

A trama simples (porém nem por isso desinteressante) se revelou por meio da narrativa envolvente, e Lauro conseguiu misturar os dois universos com coerência, sem contradizer nada que já tenha sido publicado por ambos os autores e sem descaracterizar o Minotauro, personagem que fez sua rápida (porém marcante) aparição em Lobo de Rua. Os personagens foram bem explorados dada a extensão do conto, e Elvis foi bem caracterizado, em especial nos diálogos (lembrando um certo personagem de Estações de Caça).

Como ponto negativo, notei alguns problemas na formulação das frases (algumas sentenças que deviam estar separadas por ponto foram unidas na mesma frase por uma vírgula, o que causou um pouco de estranheza) e, em alguns trechos, senti que faltou um pouco de detalhamento. Mas nada que atrapalhasse a minha experiência geral com a leitura.

O e-book possui, ainda, dois mini-contos (nada mais do que trechos de histórias que ainda estão para se revelar) que servem para atiçar (e muito) a curiosidade dos leitores. Um deles é um outro crossover, este entre os universos de Ariel Ayres e Jana P. Bianchi, tendo como principal personagem O Narrador. O outro, escrito pelo Lauro, mostra uma rápida interação entre Elvis e um personagem de A Liga dos Artesãos, o que me deixou curiosíssima para ler a continuação da história de Tales.

Definitivamente, está recomendado!



Título: Irmãos
Autor: Lauro Kociuba
Ano de publicação: 2015
Número de páginas: 5
Sinopse: Um conto do universo Alvores que reinventa uma lenda eterna dos universos de fantasia.

Irmãos é outro conto do universo Alvores, mas bem curto e ambientado na era medieval. Utilizando-se de um estilo diferente, quase poético (mas na medida certa), narra o encontro de dois irmãos, recriando de forma bastante criativa uma lenda bastante recorrente na literatura fantástica. Não é necessário ter lido outras histórias do mesmo universo para apreciar o conto, e é uma boa maneira de conhecer a escrita do autor (não que eu não o recomende para quem já leu os demais trabalhos dele.



Título: Alice no fim do mundo
Autor: Soraya Coelho
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 16
Sinopse: Só há um caminho a seguir: pela estrada de tijolos vermelhos. E ao final dela, sempre aguardando, está Alice. Se você está diante dela, acredite, está prestes a receber seu julgamento.

Este conto de Soraya Coelho fala sobre a eternidade, mas de uma forma diferente das histórias que normalmente procuro ler (ou escrever). Não que isso tenha sido problema: a escrita agradável me envolveu do início ao fim, sem nenhum problema na revisão, sendo muito eficiente em me fazer imaginar todos os cenários belos e inusitados. Não é uma história de reviravoltas e plot twists, mas nem por isso deixa de ser interessante. Se minha interpretação está correta, eu diria que é uma história sobre inevitabilidade e sobre aceitação.



Título: Canções: A Diáspora das Fadas
Autor: Soraya Coelho
Ano de publicação: 2015
Número de páginas: 8
Sinopse: Não acreditar em Fadas é como não acreditar em histórias. E sempre que uma Fada morre, morre com ela uma Canção.

Outro conto de Soraya Coelho, também muito bem escrito. Publicado para o concurso Brasil em Prosa, é bem curto, mas não passou a sensação de ter sido espremido para caber no limite de caracteres: explorou bem o universo e os personagens e detalhou todas as cenas, de forma que me senti tragada para dentro da história enquanto lia. Foi uma leitura rápida, mas bem marcante.


Título: Crime Futuro
Autor: Thiago Lee
Ano de publicação: 2015
Número de páginas: 4
Sinopse: Neste conto intenso e surreal, um ex-presidiário luta contra seu próprio subconsciente enquanto resiste cometer o mesmo crime que o colocou na prisão anos atrás.

Este conto de Thiago Lee apresenta uma proposta bem interessante, adentrando a mente de um criminoso de forma bastante inusitada (é até difícil falar da premissa desse conto sem revelar spoilers). É um conto bem curto (creio que tenha sido escrito para o Brasil em Prosa), que traz uma boa escrita (e revisão impecável) e uma revelação interessante no final, que logo dá a entender que se trata de um mundo diferente, com uma tecnologia diferente, talvez futurista (e isso sem usar palavras para apresentar o leitor ao universo criado). Apesar disso, talvez por ser tão curto, o conto não teve (ao menos para mim) o impacto que eu esperava. Faltou pouco (talvez muito pouco) para que essa história se tornasse realmente memorável. Não deixou de me proporcionar uma leitura agradável, entretanto.



***


E é isso, pessoal! Cinco contos, de três autores diferentes, mais do que recomendados. Não deixem de adquirir, ler e, se possível, deixar uma resenha. Não precisa ser longa, o que importa é que seja sincera. Se não tiver blog, você pode deixar suas resenhas no Skoob, no Goodreads, na Amazon ou nas redes sociais, ou pode entrar em contato com os autores e deixar o feedback diretamente com eles (tenho certeza de que eles ficarão muito felizes).

E se vocês ficaram curiosos sobre o Narrador, personagem de Ariel Ayres que citei na resenha de Promessas Antigas, vejam só isso:


2 comentários :

  1. Não sou muito de ler contos, mas adorei as dicas, super interessante! Alice no fim do mundo foi o que mais me chamou atenção, e achei a capa bem legal :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Monique, tudo bem?
      Antes também não tinha o costume de ler contos com muita frequência, mas de um tempo para cá acabei pegando gosto. Mas, se quiser começar, essas são boas opções (e tenho várias outras recomendações em outros posts também).

      Abraços e obrigada pela visita!

      Excluir

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