12 de abril de 2016

Resenha | Os Verdadeiros Gigantes

Título: Os Verdadeiros Gigantes
Autor: Charles William Krüger
Ano de publicação: 2015
Editora: Catavento
Número de páginas: 152
Sinopse: Rodan é um anão, uma raça forjada pelas cicatrizes das guerras do passado. A sombra de uma nova ameaça surge, prometendo trazer uma era de terror e desespero para o reino de Darakar, mas Rodan não se importa. Ele tem uma missão.
Guiado pelas aparições em sonho de seu falecido pai, ele inicia uma jornada rumo a uma vingança improvável. Sem entendê-lo, seus amigos Garren e Drunnan partem tentando impedi-lo. Ironicamente, os destinos de Rodan e do seu povo são interligados por uma força sobrenatural, obrigando os anões a mostrarem sua coragem contra hordas de orcs e gigantes.
Quando a ameaça se mostrar mais poderosa do que se imaginava, o povo anão mostrará onde reside a verdadeira força.
Mostrará quem são os mais valentes.
Mostrará quem são os Verdadeiros Gigantes.

Os Verdadeiros Gigantes tem lugar em Elgalor, um mundo de fantasia com elfos, anões, orcs, dragões e outras criaturas que conhecemos tão bem. Mas o livro se foca em Darakar, o reino dos anões — que, enquanto em outros universos de fantasia têm papel coadjuvante, aqui são os protagonistas. Acompanhamos duas jornadas simultaneamente: a de Rodan, um anão que busca vingança (ou justiça) pela morte de seu pai, e a de toda a raça anã, que luta para conter a ameaça dos orcs (que estão mais numerosos e disciplinados do que nunca).

Na primeira vez que ouvi falar no livro, fiquei com um pé atrás. Afinal, ele tinha apenas 150 páginas. Apenas 150 páginas para apresentar um novo mundo, uma raça e os personagens — sem falar na trama. E eu já li muitos livros que, devido às suas poucas páginas, apresentavam uma narrativa corrida, que praticamente só contava a história, sem se deter nos momentos importantes para mostrar o que estava acontecendo (se você é escritor, deve ter ouvido o conselho show, don’t tell). Mas vi muitas críticas positivas sobre Os Verdadeiros Gigantes, e quando fui sorteada para ganhar livros, em uma das maratonas literárias do Me Livrando, escolhi esse entre os outros vários prêmios disponíveis. E posso afirmar que Charles Krüger está entre os autores que realmente dominam a concisão.

O livro veio com dedicatória e autografado!

A trama, como se poderia esperar de um livro tão pequeno, é simples. Não há subtramas e se concentra em poucos personagens, limitando-se às duas jornadas que mencionei acima (e que se entrelaçam ao longo do livro). Isso não quer dizer, porém, que a simplicidade implica em previsibilidade ou falta de emoção. A trama é interessante e bem estruturada, com uma excelente reviravolta.

A narrativa é em terceira pessoa, com narrador onisciente. E por isso, para mim, teve altos e baixos. Não gosto muito do narrador onisciente, que se alterna entre os pensamentos de vários personagens muitas vezes na mesma cena. Por isso demorei algumas páginas para me imergir na leitura, e também não gostei muito das cenas de ação, muitas vezes narradas como se estivéssemos observando de longe, em vez de mergulharmos nos pensamentos e sentimentos do personagem. No entanto, não é uma narrativa apressada, por isso todas as cenas têm a profundidade que elas merecem.

Além disso, ela se foca em poucos personagens. Principalmente Rodan (cuja jornada é interessantíssima de se acompanhar), Garren, Drunnan e também um pouco em Lyayna (uma humana, única personagem que não é anã que tem certo desenvolvimento na história). Eles foram bem caracterizados e explorados de forma bastante satisfatória ao longo da trama.

Mas neste livro não são os personagens que devemos acompanhar, mas os anões como um todo. Os Verdadeiros Gigantes caracteriza e explora muito bem a cultura anã, focada em batalhas, coragem e superação de obstáculos. Até mesmo a religião deles é muito interessante: são devotos ao seu deus, Thanor, mas não esperam que este faça tudo por eles. Afinal, Thanor lhes deu a vida, portanto é sua responsabilidade batalhar e superar os obstáculos que aparecem. Foi algo que achei bem interessante e muito diferente, já que em vários outros livros (e até mesmo na cultura humana que é apresentada aqui) de fantasia que exploram alguma religião é comum vermos muitos personagens esperando por milagres divinos.

Além disso, o fato de Os Verdadeiros Gigantes ter uma proposta maniqueísta não significa que os anões sejam uma raça unidimensional. Eles são corajosos e lutam pelo bem de Darakar e Elgalor, mas muitas vezes se metem em enrascadas devido aos seus ideais, que muitas vezes confundem com insensatez. E eu gosto muito quando a maior qualidade de um personagem ou cultura pode, se em demasia, se transformar em seu maior defeito. É uma abordagem que pode se tornar muito interessante, e que aqui foi bem explorada.

Porém, enquanto os anões têm o destaque durante o livro e sua cultura é abordada de forma interessante, os orcs foram explorados de maneira unidimensional, tidos como bestas de pouca inteligência que basicamente seguem instintos. Embora eu não veja como fugir disso sem descaracterizar a espécie, foi algo que me incomodou durante a leitura, ainda que seja mais uma questão de gosto pessoal.

O final não era muito diferente do que eu esperava, mas para mim isso não foi um problema. Afinal, uma das reviravoltas me surpreendeu, e muitas vezes o que importa é a jornada, e não seu final. E, apesar de eu ter tido um problema de identificação com o estilo narrativo em alguns trechos, essa jornada valeu muito a pena.

Em resumo, Os Verdadeiros Gigantes é um livro que traz muitos clichês da fantasia, como a luta entre o bem e o mal e as raças já exploradas em inúmeros outros livros do gênero, mas utiliza esses elementos muito bem e ainda com um enfoque diferente, de forma que você não se sente lendo uma história já conhecida.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 4
Personagens: 4
Caracterização: 4
Coerência: 5
Criatividade: 4
Revisão: 5

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