27 de janeiro de 2016

Resenha | Paraíso Perdido

Título: Paraíso Perdido (Filhos do Éden #3)
Autor: Eduardo Spohr
Ano de publicação: 2015
Editora: Verus
Número de páginas: 556
Sinopse: No princípio, Deus criou a luz, as galáxias e os seres vivos, partindo em seguida para o eterno descanso. Os arcanjos tomaram o controle do céu e os sentinelas, um coro inferior de alados, assumiram a província da terra.Relegados ao paraíso, ordenados a servir, não a governar, os arcanjos invejaram a espécie humana, então Lúcifer, a Estrela da Manhã, convenceu seu irmão – Miguel, o Príncipe dos Anjos – a destruir cada homem e cada mulher no planeta. Os sentinelas se opuseram a eles, foram perseguidos e seu líder, Metatron, arrastado à prisão, para de lá finalmente escapar, agora que o Apocalipse se anuncia. Dos calabouços celestes surgiu o boato de que, enlouquecido, ele traçara um plano secreto, descobrindo um jeito de retomar seu santuário perdido, tornando-se o único e soberano deus sobre o mundo.Antes da Batalha do Armagedon, antes que o sétimo dia encontre seu fim, dois antigos aliados, Lúcifer e Miguel, atuais adversários, se deparam com uma nova ameaça – uma que já consideravam vencida: a perpétua luta entre o sagrado e o profano, entre os arcanjos e os sentinelas, que novamente, e pela última vez, se baterão pelo domínio da terra, agora e para sempre.

No volume de encerramento da trilogia Filhos do Éden, somos apresentados à continuação da aventura de Kaira que, junto de Urakin, chega a Asgard, no livro tratada como uma dimensão paralela, para resgatar Denyel — mas Ismael desaparece no rio Oceanus, que conecta diversas dimensões paralelas. Em seu destino, Kaira descobre que Denyel já não é mais o mesmo, e também que não poderá retornar à Terra para completar sua missão pois a ponte Bifrost foi tomada por inimigos. Assim, toda a primeira parte do livro se dedica às aventuras dos três anjos para recuperar a ponte Bifrost.

Na segunda parte, acompanhamos Ablon e Ishtar quando eles ainda eram leais a Miguel e cumpriam a missão de derrotar três sentinelas poderosos. Somos apresentados à Terra antes do dilúvio, em que a conformação dos continentes era totalmente diferente e dois tipos de seres humanos a habitavam: os enoquianos e os atlantes, estes várias vezes mencionados nos livros anteriores.

Na terceira parte, temos a continuidade da aventura dos protagonistas, em que todas as pistas apresentadas nas duas primeiras começam a se encaixar.

Admito que esperava um pouco mais do livro, especialmente da primeira parte: as aventuras dos anjos em Asgard foram muito interessantes em diversos momentos, mas em outros o autor nos enche de explicações (as famosas infodumps) sobre Asgard, os deuses e o que aconteceu para que esse mundo culminasse na situação em que estava. Na parte de Ablon, praticamente todo capítulo começava com explicações sobre o local onde estavam ou algum aspecto das religiões seguidas na época ou mesmo sobre os poderes dos anjos — são explicações que estariam muito melhores se diluídas ao longo do capítulo, conforme os próprios personagens as aprendessem. Isso acabou gerando uma quebra: início lento e explicativo, seguido de ação e história interessantes com um gancho que me levava a virar a página para mais uma vez me deparar com parágrafos e parágrafos de explicações. Não me lembro de ter me incomodado com isso nos dois volumes anteriores, por isso acredito que neles isso acontecesse com muito menos frequência.

Apesar dos problemas, ambas as partes foram muito importantes para que se compreendesse a trama desenvolvida ao longo de toda a trilogia — mesmo as aventuras em Asgard, que num primeiro momento parecem desconectadas da trama principal, como se fossem somente uma etapa a ser vencida, apresentam consequências mais para o final do livro. E a trama é o ponto alto do livro, que tem o tipo de final que faz você ver todas as peças se encaixando quando a revelação surpreendente é finalmente feita. Neste quesito, gostei muito do livro e da trilogia como um todo, pois o autor foi muito hábil em esconder as pistas ao longo de toda a história.

Quanto aos personagens, o foco está em Kaira e em suas memórias perdidas. E, embora isso seja compreensível, já que ela é a protagonista, senti que os demais ficaram apagados. Toda a mudança pela qual Denyel passou em Asgard não foi abordada (e, como o tempo corre de maneira diferente em Asgard, duzentos anos se passaram para ele), e, de qualquer forma, o “novo” Denyel não foi muito explorado. Ablon e Ishtar, em sua primeira visita à Terra e ainda leais a Miguel, me pareceram ingênuos demais, até um pouco impulsivos: mesmo que estivessem em um mundo que era novo para eles, a característica me soou um pouco forçada. Ainda assim, foi interessante acompanhar o desenvolvimento dado a Ablon e sua trajetória de anjo leal a rebelde.

Diversos outros personagens foram apresentados, mas, exceto por Innana, quase não receberam desenvolvimento. Muitas vezes li descrições psicológicas, coisa que normalmente me desagrada — prefiro quando a personalidade do personagem é mostrada por meio de suas atitudes ao longo da história.

O final, como já dito, traz uma revelação surpreendente e fecha todas as pontas soltas de maneira satisfatória. Em resumo, Paraíso Perdido, apesar dos deslizes da narrativa e da caracterização fraca de alguns dos personagens, me agradou bastante, em especial pelo enredo bem arquitetado e pelo clima de mistério que foi competente em me manter presa às páginas.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 3
Personagens: 2
Caracterização: 2
Coerência: 4
Criatividade: 4
Revisão: 5



Outros livros de Eduardo Spohr:


Filhos do Éden
  1. Herdeiros de Atlântida
  2. Anjos da Morte
  3. Paraíso Perdido




Este livro foi lido cumprindo a etapa livro de mais de 500 páginas do Desafio Literário Premiado Grupo Obverso Books-2016. É um desafio que ocorrerá durante todo o ano de 2016 e tem como objetivo desafiá-lo a ler 36 livros com temas específicos. Os leitores que cumprirem as metas mensais e a anual concorrerão a sorteios de livros e de um e-reader ao final do ano. O desafio é realizado pelo blog Os Nós da Rede e promovido por outros 12 blogs:

Um comentário :

  1. Má caracterização de personagem sempre acaba marcando todo o livro. Acabo irritada quando leio um livro e nenhum personagem me cativa...
    Gostei muuuito da sua resenha! Ficou bem completa. Não é uma trilogia que eu tenha vontade de ler no momento; porém minha irmã tem os dois primeiro volumes, então pode ser que eu venha a ler qualquer dia desses :)

    http://umaleitoravoraz.blogspot.com/

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