16 de novembro de 2015

Resenha | O Príncipe de Westeros e Outras Histórias

Título: O Príncipe de Westeros e Outras Histórias
Organizadores: George R. R. Martin e Gardner Dozois
Autores: Neil Gaiman, David W. Ball, Gillian Flynn, Paul Cornell, Scott Lynch, Phyllis Eisenstein, Joe R. Lansdale, Patrick Rothfuss, Connie Willis, George R. R. Matin.
Ano de publicação: 2015
Editora: Saída de Emergência
Número de páginas: 480
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Sinopse: Com histórias de Joe Abercrombie, Gillian Flynn, Matthew Hughes, Joe R. Lansdale, Michael Swanwick, David Ball, Carrie Vaughn, Scott Lynch, Bradley Denton, Cherie Priest, Daniel Abraham, Paul Cornell, Steven Saylor, Garth Nix, Walter Jon Williams, Phyllis Eisenstein, Lisa Tuttle, Neil Gaiman, Connie Willis, Patrick Rothfuss e George R.R. Martin o livro traz contos que não são preto e nem branco, contos com todos os tons de cinza. 21 histórias com reviravoltas astutas e deslumbrantes nessa galeria de histórias de vilões que vão saquear seu coração e ainda deixá-lo mais rico a cada história.

O livro O Príncipe de Westeros e Outras Histórias possui 10 contos de autores diversos e, apesar de levar o nome do conto de George R. R. Martin e a capa remeter à fantasia, de gêneros diversos. Porém, todos têm um tema em comum: personagens de caráter dúbio, ou os personagens cinza, tão populares ultimamente (e também não nego que eles são interessantes). Os dez contos pertencem originalmente à antologia Rogues, que foi publicada no exterior em 2014 e possui 21 contos (aqui a editora Saída de Emergência resolveu dividi-lo em dois volumes, e em 2016 a edição brasileira foi republicada pela Arqueiro, com os mesmos contos).

Confesso que comprei o livro principalmente por causa dos contos do Scott Lynch e do Patrick Rothfuss (que não me decepcionaram!), mas também gostei de conhecer outros autores, apesar de não ter gostado de um conto ou outro (o que é esperado em uma antologia).

Abaixo falarei um pouco sobre cada um dos dez contos:

Como o Marquês recuperou seu casaco (Neil Gaiman)

Este conto spin-off de Lugar Nenhum conta a história do Marquês de Carabas e sua aventura pela Londres de Baixo para recuperar um casaco que lhe é muito valioso.

Gostei da escrita do autor e o conto me prendeu, porém, senti que teria de ter lido Lugar Nenhum para aproveitar melhor a trama e o universo construído pelo autor (que é muito rico com todas as suas criaturas bastante diversas). No conto, as peculiaridades deste mundo foram apresentadas de forma um pouco vaga para quem não leu o livro, o que para mim deixou a sensação de ser um apanhado de criaturas estranhas jogadas sem muita coerência numa história, o que tirou um pouco a verossimilhança.

Apesar disso, é possível entender a trama e o conto até mesmo me deixou interessada nos livros de Neil Gaiman.

★ ★ ★ ☆ ☆



Proveniência (David W. Ball)

Proveniência é protagonizado por Max Wolff, um idoso com uma mão atrofiada e dono de uma galeria de arte, mas com muitos contatos no submundo da arte. Quando consegue uma suposta obra de Caravaggio, que esteve perdida desde a Segunda Guerra Mundial, resolve vendê-la a um conhecido. Porém, antes de fechar negócio, conta toda a história do quadro, que desde seu desaparecimento passou pelas mãos de muitos vigaristas.

Apesar de o autor mais relatar a história que mostrá-la em alguns dos trechos, o conto é muito envolvente e me prendeu até o final, que traz uma revelação muito interessante. Os trechos onde se conta a história do quadro não ficaram maçantes apesar do estilo de narrativa escolhido, e isso ainda foi equilibrado intercalando-se esses trechos com os diálogos entre Max e o comprador (o que também serviu para dar um toque a mais de mistério).

★ ★ ★ ★ ☆



Qual é a sua profissão? (Gillian Flynn)

Este conto foi um dos que mais gostei. Conta a história de uma prostituta que, após se aposentar, resolve ganhar dinheiro como vidente fajuta. Ela tem talento para o trabalho e ganha dinheiro fácil, até chegar uma cliente com problemas um pouco mais complicados, e logo a protagonista se vê metida em uma boa encrenca.

A narrativa em primeira pessoa prende logo no começo e para esse conto foi a melhor escolha, pois permite que o leitor se identifique muito facilmente com a protagonista. A trama foi bem arquitetada e envolvente, com uma boa reviravolta ao final. Apesar de o fantástico e o paranormal não serem o foco no conto, foram tratados de maneira bastante satisfatória para quem gosta de uma boa história de fantasmas.

★ ★ ★ ★ ★



Um jeito melhor de morrer (Paul Cornell)

Esse conto é outro que não pode ser lido sem um conhecimento prévio de outros trabalhos do autor, e foi o de que menos gostei. A premissa, que envolve viagem no tempo e transição entre diferentes mundos, soava empolgante, porém tudo, desde os personagens até as peculiaridades desse universo, foi apresentado de maneira bastante vaga ou sem explicação alguma. Enquanto isso, temos diversos diálogos e trechos bastante maçantes que parecem não acrescentar nada ao andamento da trama, e que talvez parecessem lentos até mesmo para aqueles que conhecem os livros do autor.

★ ☆ ☆ ☆ ☆



Um ano e um dia na velha Theradane (Scott Lynch)

Esse foi definitivamente o meu conto favorito de toda a antologia. Nele, Amarelle Parathis, uma ladra famosa, porém aposentada, meteu-se em uma confusão com uma maga como efeito de uma noite de bebedeira. Como compensação pelo incômodo que causou para a maga, ela terá de cumprir uma tarefa: roubar uma rua (literalmente).

O conto se passa em um mundo completamente diferente daquele conhecido pelos fãs dos Nobres Vigaristas, mas nem por isso menos interessante. Aqui temos uma alta fantasia, com dragões, magos, autômatos e diversos outros “absurdos”, mas que foram muito bem construídos e colocados na dose certa ao longo da história, dando-lhe um toque muito interessante. Além disso, temos excelentes personagens que passam por um bom aperto e precisam, como sempre, se utilizar de toda a sua inteligência e astúcia para sair dele, tudo isso com muito humor e excelentes reviravoltas.

Em resumo, esse conto é tudo o que poderia se esperar de Scott Lynch e um pouco mais.

★ ★ ★ ★ ★



A caravana para lugar nenhum (Phyllis Eisenstein)

Este conto foi também uma boa surpresa, apresentando um menestrel com poderes de teletransporte, uma cidade misteriosa e um garoto muito estranho, filho do dono de uma caravana com a qual Alaric, o protagonista, decide viajar.

Apesar de este ser também um spin-off, aqui os leitores que não conheceram as histórias principais não terão problema algum para acompanhar ou apreciar a trama. Tudo é bem explicado, e isso sem deixar a narrativa maçante, e a trama se desenrolou de maneira interessante, com boas reviravoltas e os três principais mistérios da história — os poderes de Alaric, a cidade e o garoto com suas atitudes estranhas — se relacionando de uma forma inesperada. O conto me prendeu do início ao fim.

★ ★ ★ ★ ★



Galho envergado (Joe R. Lansdale)

Neste conto, o protagonista mais uma vez se vê tendo de resgatar a filha de sua esposa, apesar de não gostar tanto da moça. Esta vive se envolvendo com diversos tipos de problema, porém, desta vez, os problemas parecem muito mais graves, e logo o leitor se vê jogado em uma história de detetive.

Apesar de gostar de histórias do tipo, esse conto não me prendeu, talvez por ser mais focado em confrontos e ação do que no mistério, e também, em parte, pelos temas abordados. Entretanto, não posso negar que a escrita é boa e a trama foi bem arquitetada.

★ ★ ★ ☆ ☆



A árvore reluzente (Patrick Rothfuss)

Sendo meu segundo favorito da antologia, o conto narra um dia da vida de Bast, um velho conhecido dos fãs de A Crônica do Matador do Rei. Em suas três partes (manhã, tarde e noite), conhecemos o dia-a-dia de um personagem misterioso, que muitas vezes foge de suas obrigações diárias para realizar alguns caprichos.

Neste conto somos, como esperado, agraciados com a escrita poética de Rothfuss que tanto nos agrada em seus livros, que consegue ser bela e instigante ao mesmo tempo. O conto não tem a pretensão de revelar os mistérios da vida de Bast; em vez disso, é mais ou menos no mesmo estilo de A Música do Silêncio: sabemos mais sobre o personagem (conhecemos sua índole e seu dia-a-dia), mas ao mesmo tempo não sabemos (seu passado e motivações não são revelados e pouco se fala dos Encantados). Ao mesmo tempo, conhecemos as principais intrigas de uma pequena cidade conforme Bast negocia segredos e pequenos objetos com crianças.

★ ★ ★ ★ ★



Em cartaz (Connie Willis)

Este é outro conto que não é de fantasia, mas me agradou mesmo assim. Os personagens pertencem a um livro da autora, mas a trama do conto pode ser lida independentemente, e trata das tentativas frustradas da protagonista de assistir a um filme e da suspeita de que está sendo sabotada pelo ex-namorado.

Não esperava que um conto com essa premissa me prendesse, mas a narrativa me envolveu e logo me vi ansiosa para descobrir o motivo de ser tão difícil assistir a um filme. O final, porém, foi um pouquinho previsível e não impactou tanto quanto eu esperava.

★ ★ ★ ★ ☆



O príncipe de Westeros ou O irmão do rei (George R. R. Martin)

Obviamente eu também estava animada para conferir o conto de Martin, afinal já li O Cavaleiro dos Sete Reinos e gostei bastante dos contos que ele escreve. Esse conto no início me decepcionou um pouco, mas logo a decepção inicial passou e eu me prendi à história, conhecendo um pouco da vida de Daemon Targaryen, um dos maiores canalhas de Westeros.

A decepção veio pelo fato de eu esperar uma narrativa parecida com a dos contos de Dunk e Egg, mas aqui o estilo escolhido foi diferente: o de um relato histórico, que muitas vezes apresenta várias versões de um mesmo evento, deixando a dúvida de qual seria a verdadeira versão. Entretanto, assim que superei minha decepção com o fato de a história ser contada e não mostrada, passei a gostar do estilo: foi uma escolha interessante e fez uma história que daria um livro caber em um conto sem parecer apressada ou superficial. Além disso, temos também tudo o que se espera de algo escrito por Martin: intrigas políticas, mistérios e, é claro, mortes.

★ ★ ★ ★ ☆



Apesar de alguns contos não tão bons assim, minha experiência com o livro foi bastante positiva (e mesmo que eu não tivesse gostado de todos os outros contos, os do Lynch e do Rothfuss teriam feito tudo valer a pena). Há alguns problemas na revisão, mas nada muito grave ou em uma frequência acima da aceitável.

Resenhas de alguns dos autores publicadas no blog:
George R. R. Martin:

Scott Lynch:

Patrick Rothfuss:

Atualizado dia 12/02/2017. A resenha foi feita com base na edição da Saída de Emergência.


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2 comentários :

  1. Laís, o conto do Scott Lynch está só com 1 estrela. É essa a nota dele mesmo? :O

    Abraços!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que estranho, aqui está aparecendo tudo certo. A nota dele é cinco estrelas, dei uma estrela para o conto do Paul Cornell.
      Mesmo assim, obrigada por avisar!

      Excluir

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