10 de agosto de 2015

[Resenha] O Duelo dos Reis

Título: O Duelo dos Reis (A Primeira Lei #3)
Autor: Joe Abercrombie
Ano de publicação: 2015
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 576
Sinopse: A União está em guerra. Ao norte, o coronel West e suas tropas recuperaram a fortaleza de Dunbrec, mas a batalha pode se arrastar por anos, porque o rei dos nórdicos não irá se render. É hora de Nove Dedos voltar e enfrentar seu pior inimigo. O problema é que, no calor da batalha, nunca se sabe quando o Nove Sangrento surgirá de dentro dele – e o Nove Sangrento não escolhe lado, só quer matar. Na Terra do Meio, uma revolução camponesa por direitos igualitários e participação política desestabiliza os governos locais. Caberá a Jezal dan Luthar negociar a paz e, se preciso, combater o próprio povo.
Na capital, com o rei doente e sem herdeiros, os membros do Conselho Fechado começam a comprar apoio dos nobres, numa corrida oculta ao trono. Depois de ter escapado por pouco de Dagoska, Sand dan Glokta precisa sobreviver ao jogo político. Para isso, vai usar os recursos em que é mestre: chantagem, ameaça e tortura. Além disso, tropas gurkenses se movem no sul em direção a Adua, dispostas a travar uma guerra santa e levar Bayaz a julgamento. Para salvar o mundo, o Primeiro dos Magos precisa salvar a si mesmo, porém há riscos enormes quando se mexe com magia. E nada pode ser mais arriscado do que quebrar a Primeira Lei. O duelo dos reis é um épico sombrio e brilhante, um final de tirar o fôlego para a trilogia que redefiniu a literatura fantástica.

Jezal está aliviado por ter retornado da viagem para enfim colocar em prática seus planos de ter uma vida simples e pacata. Logen voltou ao norte em busca do que desde o início da trilogia vinha sendo seu objetivo: derrotar Bethod, o rei dos nórdicos. Glokta tem dois chefes a mais do que deseja e precisa jogar com cautela para não desagradar seus desejos conflitantes. Ferro está em Adua, mas determinada a conseguir sua vingança enquanto ajuda Bayaz a derrotar Khalul e seus comedores. A guerra com os nórdicos e com os gurkenses continua, com um cenário bastante desanimador para a União, e como se não bastasse, os camponeses decidem se revoltar. As traições brotam dos lugares mais inesperados.

O Duelo dos Reis foi o melhor livro da trilogia, com uma narrativa ágil, mas ao mesmo tempo detalhada o suficiente para envolver o leitor na trama, que rapidamente leva o leitor ao seu final, apesar de suas quase 600 páginas. Apesar disso, alguns trechos mereciam uma narrativa um pouco mais detalhada, especialmente um deles, pelos quais os leitores estiveram esperando desde o primeiro livro — mas esses momentos foram poucos.

Os personagens continuam tão cativantes quanto nos volumes anteriores. Foram bem trabalhados e todos sofreram mudanças — e não necessariamente para a melhor. Além disso, foi interessante observar como a viagem empreendida no volume anterior influenciou alguns dos comportamentos de Ferro, Jezal e Logen. Apesar dessas mudanças, entretanto, eles não perderam sua essência, o que manteve sua coerência, afinal, mudanças drásticas não acontecem da noite para o dia.

“Por instinto, Ferro levou a mão à espada, depois percebeu que a deixara no palácio e xingou a si mesma pela idiotice. Nove Dedos estava certo. Facas nunca são demais.”

Quanto a Bayaz, ainda mais é revelado sobre ele, e o Arquileitor Sult também trouxe algumas pequenas surpresas para o livro.

Aliás, surpresas não faltam neste livro. Algumas delas eu previ um pouco antes que acontecessem de fato, mas nem por isso deixaram de ser interessantes, enquanto outras foram uma total surpresa, especialmente aquelas acontecidas com Glokta.

Corpo encontrado flutuando na banheira…?

Outro ponto interessante na trama foi a revelação do verdadeiro vilão, que trouxe à trilogia um final um tanto diferente do que se esperaria de um livro de fantasia. A única coisa que me incomodou foi a questão de Khalul e dos comedores, que no final acabou tendo uma importância secundária, quanto tantos personagens empreenderam tanto esforço na causa.

O final fecha todos os conflitos da história, mas deixa um pouco a desejar quanto aos personagens. No caso de alguns deles, como West e Logen, o autor deixou algumas pistas para que os leitores tirassem suas conclusões, mas, especialmente no caso de Ferro, os arcos acabaram por ficar incompletos. Algumas das pontas soltas parecem prenunciar uma possível continuação.

Apesar disso, gostei muito do livro, que me mostrou que eu não estava errada sobre todos aqueles que falavam tão bem sobre a trilogia pela internet.

Avaliação:

Trama: 3
Narrativa: 3
Personagens: 4
Caracterização: 4
Coerência: 4
Criatividade: 5
Revisão: 5


Outros livros do autor:
  • O Poder da Espada (A Primeira Lei #1)
  • Antes da Forca (A Primeira Lei #2)*
  • Duelo de Reis (A Primeira Lei #3)
  • Best Served Cold
  • The Heroes
  • Red Country
  • Half a King (Shattered Sea #1)
  • Half the World (Shattered Sea #2)
  • Half a War (Shattered Sea #3)
  • Contos nas antologias O Príncipe de Westeros e Outras Histórias e Dangerous Women

Um comentário :

  1. Eu acho que faltaram umas 100 páginas nesse livro para ele ficar perfeito, mas eu acabei gostando bastante do resultado final. Alguns personagens têm os seus destinos revelados em livros que o Joe escreveu ambientados no mesmo mundo: Best Served Cold, The Heroes e Red Country, que eu ainda não tive a oportunidade de ler, mas espero fazer em breve. Enfim, é uma série que eu recomendo bastante, ainda mais por fugir um pouco das características dos outros livros de fantasia e trazer um vilão que trollou todo mundo, literalmente. hahaha

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2015/03/resenha-o-duelo-dos-reis-joe-abercrombie.html

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