1 de junho de 2015

Resenha | Um dia das bruxas Nem Um Pouco Épico

Título: Um dia das bruxas Nem Um Pouco Épico
Autores: Roberta Splinder, Fernanda Nia, Felipe Castilho, Lucas Rocha, Dayse Dantas, Eric Novello, Vitor Castrillo, Babi Dewet, Diego Matioli, Mary C. Müller, Ana Cristina Rodrigues, Bárbara Morais, Dana Martins
Ano de publicação: 2014
Editora: publicação independente
Número de páginas: 118
Sinopse: Um Halloween Nem Um Pouco Épico! (barulho de trovões ribombando pelo céu e janelas quebrando com o vento) Exatamente! Essa foi a maneira que encontramos de celebrar o Halloween, uma das nossas épocas favoritas do ano: matando todos vocês de medo! Aqui vocês encontrarão histórias de heroínas, de tatuagens malignas, de bibliotecas penumbrosas, garotinhas assustadas e outras corajosas, de monstros fantasiados de humanos e humanos fantasiados de monstros. Tem para todos os gostos (e para todos os medos!)
Então encoste-se em algum lugar confortável, faça um café ou um chá e aproveite esses contos se tiver coragem, é claro. PS: a equipe do NUPE não se responsabiliza por nenhum caso de insônia ou criatura que porventura venha puxar seu pé durante uma noite fria de sono.

Um dia das bruxas Nem Um Pouco Épico é uma coletânea de contos organizada pelo site Nem Um Pouco Épico no Halloween de 2014, e por isso reúne diversos contos sobre bruxas e de terror, de diversos autores brasileiros, alguns, como Eric Novello e Bárbara Morais, muito conhecidos entre os leitores brasileiros. A antologia é distribuída gratuitamente e vocês podem fazer o download aqui.

Eu gostei de diversos contos, de alguns não gostei tanto assim, e falarei um pouco sobre o que achei de cada um, pois seria um tanto injusto se alguns autores recebessem feedback e outros não, por isso esse post será um pouco longo.

Marcado (Roberta Spindler)

No meio da madrugada, um homem desperta em sua cama, coberto de sangue e com uma estranha tatuagem em seu peito: um diabo. Ele não se lembra como adquiriu a tatuagem e nem do motivo de estar sujo de sangue que não é seu.

Esse foi um dos que eu não gostei. Não há nada que incite o leitor, nada que deixe no ambiente um ar de tensão ou medo. Os acontecimentos foram descritos de forma um tanto superficial, de forma que o leitor não é tragado pela história. Além disso, as frases são um pouco longas demais, e encontrei problemas na pontuação.

A Caçadora (Fernanda Nia)

Em um mundo habitado por demônios e diversas outras criaturas sobrenaturais, uma menina é resgatada por uma Caçadora, uma espécie de ser mágico cuja missão é livrar o mundo de criaturas malignas, e passa a viver junto dela caçando demônios.

Com uma narrativa interessante, Fernanda nos apresenta brevemente ao universo do conto, mas não é nada muito extenso, o que se adequou a uma história curta, ao mesmo tempo em que introduz o leitor de maneira satisfatória. Explorou bem os personagens e no final apresentou uma explicação interessante. Apenas faltou mais emoção nas cenas de ação, algo que indicasse para o leitor o que as personagens sentiam durante a execução da cena. Porém, exceto por isso e por alguns leves erros de revisão, foi um bom conto.

O Que Separa as Coisas (Felipe Castilho)

Todas as noites uma garota via, no corredor perto de seu quarto, o fantasma de um homem que parecia ter se afogado. Ela se amedronta de início, mas aos poucos aprende a deixar de ter medo.

Salvo por alguns pequenos deslizes na revisão, foi muito bem escrito, com uma narrativa fluída; quando me dei conta, já tinha chegado ao seu final. Além disso, ele me impressionou com um final diferente do que eu esperava, dando a entender que nem sempre aquele que pensamos é o verdadeiro monstro. Com isso acabou fugindo um pouco do tema, mas nem por isso o conto deixou de agradar; certamente leria outros textos do autor.

Luzes, Câmera, Ação! (Lucas Rocha)

O protagonista é um ator em busca de ampliar seus contatos e está prestes a atuar em um filme de terror — só para descobrir que os acontecimentos não são tão fictícios assim.

O conto foi bem escrito, com uma narrativa fluída que não demora a envolver o leitor na história. A trama é interessante, mas o final pareceu um pouco apressado; quando o clímax finalmente chega, falta um pouco de emoção, algo que transmitisse ao leitor o que o personagem estava sentindo.

Vampiro (Dayse Dantas)

Esse conto nos apresenta uma situação inusitada, onde os vampiros não são um segredo, mas são estigmatizados pela sociedade.

A construção desse mundo ficou bem interessante, especialmente por a história ser contada pelo ponto de vista de uma vampira em um mundo em que sua espécie sofre preconceito. A narrativa é interessante, como se a protagonista contasse uma história para o leitor, mas não achei o clímax interessante; foi tudo apressado demais, o que acabou prejudicando a história.

A Biblioteca do Sussurro (Eric Novello)

Bia adora o Halloween e, como sempre, a festa será comemorada na casa de seus avós. Porém, esta festa se revela um tanto diferente das anteriores.

Achei a introdução do conto um tanto longa, mas o restante da história é muito interessante. Passa ao leitor uma leve sensação de suspense e mistério e deixa o final em aberto, apenas sugestionando ao leitor o que aconteceu realmente.

Para Sempre (Vitor Castrillo)

Caio pela primeira vez vai ajudar seu namorado, Marco, a capturar e matar um monstro. Acreditam que seu alvo estará na festa de Halloween, e seu plano de captura a princípio parece simples, mas Caio acaba descobrindo que existe algo mais por trás disso.

As cenas de ação nesse conto foram descritas de maneira um pouco apressada, e acabaram não passando emoção suficiente. Entretanto, o conto não vai por um caminho previsível, o que foi interessante e acabou me agradando.

Visões do Escuro (Babi Dewet)

Os sonhos muitas vezes são agradáveis e representam aquilo que mais desejamos, mas não para a protagonista desse conto. Os sonhos desta são desagradáveis e muitas vezes acabam por se tornar realidade.

Esse conto apresenta um excesso de pontos de exclamação e algumas frases mal elaboradas, dificultando seu entendimento. Porém, a autora conseguiu passar um clima de suspense e tensão, de algo prestes a acontecer. O cenário mutável e confuso foi muito adequado para construir o ambiente de um sonho.

Todo o Certo é Torto (Diego Matioli)

Gustavo vai a uma festa de Halloween com sua namorada, porém, não tem certeza se os convidados são realmente apenas pessoas fantasiadas.

O conto apresenta a narrativa em primeira pessoa no tempo verbal presente. Apesar de eu não gostar muito de histórias narradas no presente, esta foi bem escrita, salvo alguns leves deslizes na revisão, e acabou me envolvendo. O autor soube descrever as cenas e os lugares de maneira a passar para o leitor a confusão sentida pelo personagem, o que acabou dando um ar diferente ao tema.

Três Vezes Loira (Mary C. Müller)

Neste conto vemos duas lendas urbanas, a Loira do Banheiro e a Dama de Vermelho, entediadas com o novo panorama do século XXI: ninguém mais se interessa por lendas urbanas.

O conto está bem escrito e bem revisado, no entanto não gostei. Parece que faltou um pouco de emoção, um pouco de propósito. Os personagens não se transformaram. No entanto, a ideia de monstros estarem sem trabalho no século XXI é interessante, só precisava ser melhor trabalhada.

Pesadelos Contínuos (Ana Cristina Rodrigues)

Este conto é narrado sob o ponto de vista de um onírico, criatura que se alimenta de sonhos, especialmente os mais intensos: os pesadelos. Porém, daquela vez ele errou a dose, e precisou fugir às pressas de um pesadelo antes que o sonhador morresse e o onírico acabasse tendo o mesmo destino. Com a pressa de deixar o pesadelo, acaba indo parar em um mundo que desconhece.

O conto é bem escrito, apresentando um mundo interessante e criaturas igualmente interessantes. Apenas achei que faltou um pouco de emoção na hora do confronto e um pouco de descrição do cenário, mostrando como o personagem estava confuso. Ainda assim, foi interessante ver tudo sob o ponto de vista daquele que causa o terror.

Dentro do Armário (Bárbara Morais)

Lara odeia seu avô, que é um homem preconceituoso e muito conservador, mas ela e seus dois primos não podem deixar de investigar quando recebem de presente uma chave misteriosa.

Esse foi o meu conto favorito. Apesar de longo, a narrativa é tão envolvente que quando vi já tinha terminado. A autora soube dosar os detalhes de maneira que estes criassem a tensão e o mistério necessários ao conto. O clímax não é previsível e é muito interessante e bem construído, e o conto termina deixando algumas pontas soltas, e cabe ao leitor atá-las.

Um Adeus Prolongado (Dana Martins)

Em uma festa de Halloween há 6 anos, Bruciene conheceu um garoto misterioso, fantasiado de fantasma. Depois de 6 anos, Bruciene ainda frequenta as festas, porém, o mistério ainda continua.

O conto deixou uma tensão interessante e um clima de mistério o permeou. O final em aberto ficou interessante, mas o conto algumas vezes confunde um pouco ao pular do presente para o passado toda hora. Devido a isso, foi um dos que menos gostei.



E são essas as 13 histórias que compõem a antologia. Como são várias e de diversos autores, não atribuirei notas, deixando somente o feedback.

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2 comentários :

  1. Já baixei o meu exemplar. Acho super bacana quando vejo resenhas como estas, que nos fazem conhecer autores nacionais, que são muito talentosos mas infelizmente não são divulgados. Outra coisa que achei bacana também foi você ter falado um pouco sobre cada conto, vou começar a ler sabendo o que me aguarda.

    Maria Ferreira.

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  2. Confesso que não conhecia o livro, mas a capa me chamou bastante atenção e gostei dos contos também, parecem ser bem legais.

    Beijos:*
    Dani - http://www.escritasnachuva.com/

    ResponderExcluir

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