20 de abril de 2015

Resenha | Habitantes do Cosmos: Artemísia

Título: Habitantes do Cosmos: Artemísia
Autora: Francélia Pereira
Ano de publicação: 2015
Editora: Buriti
Número de páginas: 180
Sinopse: O planeta Terra havia se tornado hostil. A humanidade havia migrado para vários pontos do Sistema Solar. O Governo lutava para manter a ordem e garantir as condições necessárias para que a humanidade sobrevivesse até que um novo lar pudesse ser encontrado.
Em um canto de Vênus, um povo mantinha tradições milenares; era o Clã; e dele nasceu Artemísia.Em um universo sem esperança ela tenta encontrar uma forma de viver eternamente.A história se passa em um futuro muito distante. Artemísia nasceu em Vênus, em uma sociedade patriarcal extremamente machista e, por isso, viviam isolados, pois as questões que envolvem o gênero e a sexualidade já haviam sido superadas pelo resto da humanidade.Após fatos que marcaram a infância de Artemísia, ela se vê sozinha no Sistema Apolo e acaba se tornando uma guerreira mercenária que vive várias aventuras e várias tragédias, e nesse contexto ela tenta encontrar uma razão para sua existência.No livro você encontrará aventuras, ação, fantasia, filosofia, romance, mitologia, enfim, é uma obra muito rica e que apresenta questões subjetivas, que tem o objetivo de convidar o leitor a refletir sobre os rumos que nossas vidas tomam no nosso dia a dia. É uma obra de ficção, mas que tem a pretensão de tocar o leitor, de alguma forma.

Em um futuro muito distante, uma tragédia ocorreu na Terra, obrigando os seres humanos a se espalharem pelo sistema solar, ocupando planetas como Vênus e Marte, e formarem o Sistema Apolo. Nesse mundo vive Artemísia, a protagonista, que nasceu em uma comunidade venusiana conhecida como Clã, o único local do Sistema Apolo que ainda segue uma cultura patriarcal, enquanto todo o resto da humanidade trata ambos os sexos de maneira igualitária.

A trama acompanha a jornada de Artemísia neste mundo, mostrando em flashbacks sua fuga do Clã, que tanto odeia, e no presente sua busca para um sentido em sua vida, enquanto ela passa por vários templos e aprende com diversos mestres. No livro, o foco não são as guerras que acontecem no Sistema Apolo (algumas das quais Artemísia participa como mercenária), ou os pormenores de como esse sistema se formou, mas sim os desafios pelos quais Artemísia passa em busca de encontrar seu caminho e seu objetivo de vida, tentando superar os traumas pelos quais passou na infância devido à opressão que a sociedade onde nasceu impunha às mulheres.

Narrado em terceira pessoa, é contado na maior parte do tempo sob o ponto de vista de Artemísia, vez ou outra alternando para outros personagens quando necessário. Porém, o estilo de narrativa me decepcionou um pouco, pois a autora não nos mostra os acontecimentos, ela nos conta. Assim, as cenas não são tão emocionantes quanto poderiam ter sido, e a caracterização do mundo também saiu um pouco prejudicada por isso, pois as descrições foram um pouco superficiais.

O mundo apresentado pela autora é muito interessante, mas, apesar de não ser o foco do livro, senti que faltou detalhar um pouco melhor a formação do Sistema Apolo e seu funcionamento, além da tecnologia utilizada. Alguns personagens, como por exemplo a própria Artemísia, possuem alguns poderes, porém estes também não são descritos, apesar de eu acreditar que a ideia era deixar essa questão em aberto, mostrando a magia como algo que não pode, na maioria das vezes, ser controlado.

Um ponto positivo é a maneira como a mitologia foi utilizada. A autora misturou diversas mitologias, como grega, egípcia, oriental e indígena (com destaque para essa última) e a trabalhou de uma forma diferente e bastante interessante. Aliás, essa mitologia é um ponto central da história e da jornada de Artemísia.

Gostei da maneira como a personalidade de Artemísia foi caracterizada. Ela foi moldada pelos acontecimentos desagradáveis de sua infância e é muito afetada pelo ódio que sente de seu pai e da humanidade em geral. Ao mesmo tempo em que é determinada e corre atrás daquilo que deseja, também possui um lado negro, e essa ambiguidade no seu caráter foi trabalhada de uma maneira que parecesse convincente e natural; em nenhum momento a personagem pareceu contraditória.

Entretanto, a caracterização dos demais personagens deixou a desejar, e mais uma vez acredito que isto tenha acontecido devido à narrativa apressada.

O final ofereceu uma conclusão para a jornada de Artemísia, mas deixou algumas pontas soltas que, ainda que não fossem de fato o foco desse livro, mereciam ter sido amarradas. Houve alguns deslizes na revisão, mas nada que prejudicasse a leitura e tampouco foram frequentes.

Em resumo, Habitantes do Comos: Artemísia introduz o leitor a um mundo amplo e cheio de possibilidades, com uma mitologia muito interessante, mas a narrativa acabou impedindo que atingisse todo o potencial aberto pelo enredo.

Avaliação

Trama: 3
Narrativa: 2
Personagens: 2
Caracterização: 3
Coerência: 5
Criatividade: 5
Revisão: 3


Saiba mais sobre Francélia Pereira, autora parceira do blog, e sobre seu livro.

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