6 de novembro de 2014

15 coisas que me fazem gostar de um livro

Outro dia fiz uma postagem enumerando dez tipos de leitores que podemos encontrar por aí. Porém, a lista não passa de um post divertido, pois na realidade não existem “tipos de leitores”; cada um tem seus gostos e suas maneiras de ser.


Desse modo, um livro que falhou para mim pode vir a agradar outros leitores, e vice-versa. Assim, decidi listar os principais pontos que me levam a gostar de um livro.

[1] Personagens bem explorados

É muito bom ler uma história onde se observa que o autor teve o cuidado de trabalhar bem suas personalidades, seus desejos, seus medos. Lógico que em uma história não há espaço para explorar todas as qualidades e fraquezas de todos os personagens, mas quando lemos uma boa história percebemos que mesmo aqueles de pouca importância têm personalidades definidas, gostos próprios, manias.

[2] Cenas bem construídas

Alguns leitores gostam de livros de narrativa rápida, com cenas curtas e poucos detalhes. Eu já prefiro quando há mais detalhes, quando o autor coloca nas páginas aspectos do cenário e os mescla com os sentimentos do personagem diante da conjuntura. Acredito que isso torna a cena não lenta e enfadonha, porém mais instigante.

Imagine uma cena de ação em que o autor não se limita a simplesmente narrar o que aconteceu. Ele mostra como os personagens estão tensos ou até amedrontados. Descreve o ambiente e demonstra como este influencia nas decisões de um personagem. Mostra como o som de galhos se quebrando assusta uma pessoa que está sendo perseguida.

Todos esses detalhes, se bem utilizados, podem me fazer sentir não como se estivesse lendo um livro, mas sim ao lado do personagem, vivendo aquele momento.

[3] Mais de um ponto de vista

Este não é um quesito obrigatório. Algumas histórias excelentes são narradas sob um único ponto de vista, seja este em primeira ou terceira pessoa. Porém, algumas histórias pedem para ser narradas sob mais de um ponto de vista, e às vezes é muito interessante observar uma mesma pessoa ou cenário sob as diferentes visões e opiniões de um personagem. Ademais, esse método permite que conheçamos melhor outros personagens, além do protagonista.

[4] Flashbacks

Isto também não é obrigatório, mas quando existem (seja para narrar um acontecimento importante do passado, seja para explorar as origens dos personagens), parecem tornar a história mais interessante. Melhor ainda é quando terminam com um gancho para o flashback seguinte, depois temos um capítulo no presente com um gancho para o próximo, e quando vemos o livro já terminou.

Um bom exemplo de um livro cujos flashbacks o tornam mais interessante é As Mentiras de Locke Lamora.

[5] Verossimilhança

Este é um ponto muito importante, e aposto que não só para mim como também para muitos outros leitores. Por mais fantasioso que seja um livro, o leitor não deve se sentir como se estivesse lendo uma sucessão de absurdos. Todos os elementos de sua história devem parecer plausíveis para o leitor. Ele precisa sentir que isso pode acontecer, ao menos no universo que você criou.

Falarei em maiores detalhes sobre verossimilhança na coluna Escrevendo Fantasia.

[6] Tramas paralelas

Outro item que não é obrigatório. Um livro que possua somente uma trama principal não irá necessariamente me desagradar, mas se a história abrir espaço para isso, acho interessante acompanhar diversas tramas paralelas e observar como elas se relacionam com a principal.

[7] Trama bem construída

Algumas histórias trazem personagens agindo e lidando com as consequências daquilo que fizeram. Outras trazem personagens tendo de desvendar os esquemas do vilão de modo a vencê-lo. Algumas vezes, devem lidar com as consequências daquilo que foi feito por outra pessoa no passado. Independentemente disso, uma boa história deve ter a trama bem construída, sem furos ou inconsistências e tampouco pontos importantes mal explorados.

[8] Cenário bem trabalhado

Neste caso, não vejo necessidade de fazer uma descrição extremamente detalhista, mas já li livros em que personagens conversavam e não se sabia onde estavam, se na rua, em uma casa, um restaurante. Ao menos mencionar o local onde estão ajuda o leitor a se situar.

Também é interessante quando o autor se preocupa em imaginar um cenário condizente com o mundo idealizado, seja um universo de sua criação, seja uma localidade aqui na Terra. Outra coisa interessante é quando não apenas um cenário é descrito, mas também as sensações que ele desperta nos personagens.

[9] Tema interessante

Uma história possui um tema, algo que será discutido ao longo do desenrolar da trama tendo como base as ações dos personagens e demais acontecimentos. Pode ser qualquer tema, como o desejo de vencer a morte ou a busca por conhecimento, mas acho interessante quando esse tema é bem trabalhado, mesmo que nas entrelinhas.

[10] Narrativa envolvente

Isso é algo bem pessoal, afinal, diversos leitores têm diversas opiniões sobre o que torna uma narrativa envolvente. Mas o que a torna envolvente para mim é, principalmente, o que já descrevi nos itens 1, 2, 8 e 9. Porém, existem outras coisas que tornam a escrita de um autor envolvente, como uma maneira peculiar de descrever o clima, os conjuntos de palavras que ele utiliza. Tudo depende com a identificação do leitor com o estilo de escrita.

[11] Quando todos os elementos se inter-relacionam

Cada pessoa tem sua própria personalidade, mas diversos fatores a moldam, como cultura, criação por parte dos pais, crenças, traumas. Gosto muito quando um escritor observa esses detalhes e os usa para decidir como seus personagens agirão, como vão reagir a determinadas atitudes, que impactos diferentes cenários ou conjunturas terão sobre ele. Tudo isso torna uma história mais interessante e verossímil.

[12] Sentimentos e sensações

Personagens, assim como pessoas, têm emoções. Acredito ser importante descrever o que um personagem está sentindo durante uma luta ou diante de alguma relação. Quando o autor consegue mostrar como um personagem está se sentindo diante das mais diversas situações, certamente ganha pontos comigo.

[13] Momentos descontraídos

Acredito que mesmo as histórias mais sombrias precisem equilibrar os momentos ruins com trechos mais leves. Esses trechos são bons para fazerem o leitor rir, podem servir também para explorar alguns aspectos do personagem (como ele reage às piadas?) e pode mostrar ao leitor que os personagens não se deixam abater pelos acontecimentos (se for esse o caso).

[14] Ritmo constante

Uma história que seja totalmente constante não tem graça. Uma boa história intercala ação com períodos, momentos ruins com momentos bons, narrativa com diálogos. Porém, acredito que exista uma medida ideal, algo que mantenha a coerência. Há livros que têm inícios lentos e parados para depois presentear o leitor com acontecimentos e mais acontecimentos, às vezes até mesmo passando a sensação de que foi escrito às pressas. Distribuir os acontecimentos ao longo do livro, intercalando-os de maneira que a história flua, prenderá o leitor com mais facilidade e tornará a narrativa mais coerente.

[15] Surpresas

Por fim, adoro quando um livro me surpreende, quando se mostra excelente quando eu pensava que seria apenas bom. Grandes reviravoltas também me agradam muito; é muito bom quando você está lendo uma história, tudo está indo razoavelmente e, de súbito, acontece alguma coisa que muda tudo. Isso mostra que o autor não tem medo de colocar seus personagens em situações desconfortáveis (e até mesmo matá-los).

Como vocês puderam observar, alguns itens são bem pessoais, mas têm peso na minha avaliação final do livro e na resenha que resultará. Afinal, a resenha é sobre opinião, por isso acho muito importante explicar de maneira clara o porquê de determinado elemento ter me agradado (ou não).

E quanto a vocês, leitores: o que os leva a gostar de um livro?

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