21 de outubro de 2014

[Resenha] Convergente

Título: Trilogia Divergente #3 – Convergente
Autora: Veronica Roth
Ano de publicação: 2014
Editora: Rocco
Número de páginas: 526
Sinopse: A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. Livro mais vendido pela Amazon no segmento infantojuvenil em 2013, Convergente chega ao Brasil em meio à expectativa pela estreia de Divergente nos cinemas, em abril. A série segue no topo na lista de bestsellers do The New York Times.

ATENÇÃO: Esta resenha pode conter SPOILERS dos dois volumes anteriores da trilogia: Divergente e Insurgente.



No mundo distópico criado por Veronica Roth, a líder da erudição, Jeanine, foi morta, e a cidade foi tomada pelos sem-facção, liderados por Evelyn. A informação que Jeanine tanto lutou para esconder foi revelada: a cidade, com sua forma de governo e suas facções, era apenas um experimento científico, criado com o intuito de consertar o caos que se instaurara no mundo — para Tris e aqueles que viveram toda a sua vida confinados na cidade, “o mundo fora da cerca”.

Mas o próprio mundo deles parece entrar em colapso: com a ascensão dos sem-facção, as cinco facções que norteavam a forma de pensamento daquela sociedade — erudição, abnegação, franqueza, amizade e audácia — caíram por terra, levando consigo tudo em que aquelas pessoas acreditavam. E, em resistência ao governo rígido de Evelyn, surgem os Leais, aqueles que querem o retorno das facções.

Em meio a esses conflitos, há aqueles que querem descobrir o que há do lado de fora da cerca e dentre estes estão Tris, Tobias e seus amigos. Eles fogem da vigilância de Evelyn na calada da noite e se aventuram a pular a cerca e desvendar o mundo que encontram do lado de fora — muito mais vasto do que imaginavam. A partir daí, os experimentos mencionados por Edith Prior ao final de Insurgente são explicados e é criada uma discussão em torno de GDs e GPs (Geneticamente Defeituosos e Geneticamente Puros).

A trama do livro é bastante interessante e gostei muito dele, especialmente quando levantou temas como o preconceito contra os GDs, que na realidade é infundado pois a definição que os personagens têm de genes puros e genes defeituosos é completamente arbitrária. Em contrapartida, diversos temas que poderiam ser discutidos foram, a meu ver, tratados de maneira insatisfatória.

A escrita de Veronica Roth foi praticamente a mesma dos outros livros: leve e fluída, prendendo o leitor do início ao fim. Nota-se que ela tentou investir em descrições mais detalhadas, mas estas, apesar de em sua maioria serem curtas e diretas, foram bastante enfadonhas; ela não soube inseri-las na história de maneira natural. Além disso, ela se estendeu desnecessariamente em algumas cenas que não eram tão importantes para o andamento do livro, tomando um espaço que poderia ter sido utilizado para a discussão de temas mais relevantes.

A alternância de pontos de vista em primeira pessoa foi algo que não funcionou tão bem, apesar de ser necessária para mostrar todos os acontecimentos do livro. Ela poderia ter sido melhor utilizada, pois não há diferença entre as duas narrativas e várias vezes me peguei lendo capítulos de Tobias pensando em Tris e vice-versa. A meu ver, narrativa em primeira pessoa não é ideal para determinados livros.

Quanto aos personagens, senti um crescimento na protagonista, que em diversos momentos demonstrou atitude e cautela quando esta era necessária. Tobias, porém, pareceu caminhar na direção contrária: ele vive assombrado com as lembranças envolvendo seus pais, comete erros imprudentes e não se mostra disposto a enfrentar seus medos.

Os personagens secundários não foram muito explorados e, enquanto as reações dos amigos de Tris aos conflitos pareceram pertinentes, alguns dos novos personagens não tiveram suas motivações tão bem explicadas, fazendo com que eu me perguntasse o que os levaria a abrir mão de suas vidas estáveis e seguras para ajudarem na causa.

A resolução proposta pelos personagens para os conflitos me pareceram pertinentes e muito mais eficientes e praticáveis que uma guerra, mas tudo se desenrolou de maneira rápida demais, o que deixou a trama um tanto inverossímil. As cenas de ação são rápidas e de rápida resolução, e a autora não soube passar a emoção do momento.

Recebi um spoiler do final, mas mesmo que não tivesse recebido, o teria adivinhado de qualquer maneira. A partir de determinado ponto do livro, fica bastante óbvio o que irá acontecer.

Porém, apesar de todos esses pontos negativos, gostei do livro — não tanto quanto dos dois anteriores, mas gostei. Ainda que não tenha discutido de maneira devida alguns pontos e merecer muito mais páginas — talvez até mesmo mais de um volume, enquanto os dois primeiros, que tratam apenas do pequeno mundo das facções, poderiam ter sido reduzidos a apenas um —, creio que tenha sido uma boa conclusão para a trilogia e me rendeu bons momentos de entretenimento.


Outros livros de Veronica Roth:

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