10 de setembro de 2014

[Escrita] Novas técnicas que pretendo adotar

Como já comentado em diversos posts anteriormente, nos últimos dias de junho eu concluí meu primeiro livro. Não foi a primeira vez que eu o escrevi — na realidade, escrevo desde os treze anos, e desde essa época produzi seis livros (ou, mais especificamente, seis rascunhos de livros). Diversas vezes já cheguei a pensar que esses seis rascunhos estavam prontos, mas sempre sentia que algo estava faltando. Durante o último planejamento de As Joias do Caos, porém, encontrei aquilo que estava faltando, e após seis meses (um prazo apertado para um livro desse tamanho) finalmente tinha um livro pronto, e enfim estava plenamente satisfeita com o resultado.


Não falarei novamente sobre todo o processo, uma vez que já o fiz em outros artigos. Quem tiver curiosidade basta conferi-los:

Apesar de As Joias do Caos ter me deixado satisfeita, o seu processo de escrita (os métodos, nada relacionado ao enredo) não foi dos mais eficientes, e eu certamente teria produzido mais (ou terminado o livro antes, o que teria me poupado de um bocado de desespero) se tivesse adotado certos métodos de organização.

E é disso que falarei neste post: assim que terminei o livro e o submeti ao Prêmio Bang!, fiz em um bloco de notas uma lista de coisas que faria de diferente no processo de escrita do próximo livro, de forma a tornar sua escrita e também sua revisão mais eficiente.

Em primeiro lugar terei um arquivo separado para cada capítulo. Creio que isso me ajudará a organizá-los e, principalmente, revisá-los. Além disso, terei um arquivo único que servirá para criar o que chamarei de “diário de desenvolvimento”, em que farei um breve resumo de cada capítulo. Esses resumos servirão como um guia durante a revisão, auxiliando-me a detectar possíveis repetições ou incoerências. Ademais, facilitará até mesmo o processo de escrita, uma vez que, caso eu necessite consultar um trecho, bastará consultar esse diário para lembrar em qual capítulo estava. Com isso encontrarei o trecho mais rapidamente, evitando procrastinar (diversas vezes, enquanto escrevia As Joias do Caos, vasculhava o livro em busca de um trecho específico e acabava parando para ler um capítulo ou outro porque gostava dele).

Outro ponto é que manterei uma ficha detalhada de todos os personagens importantes (protagonistas ou secundários). Eu já possuía uma planilha no Excel com uma lista de todos os personagens, mas ela listava apenas características físicas, poderes especiais, datas de nascimento e morte, mas não citava suas características psicológicas. Claro que, depois de todos esses anos escrevendo e reescrevendo essa saga, eu já tinha todos os personagens com suas personalidades bem definidas. Porém, minhas anotações sobre suas personalidades estavam espalhadas em papéis e e-mails avulsos, por isso tive muito trabalho com um personagem em As Joias do Caos (apesar de eu acreditar que a culpa é do próprio personagem, e não de minha desorganização).

O último item é na verdade algo que adotei durante a escrita de As Joias do Caos e manterei: um diário geral, onde anotarei tudo o que produzir naquele dia, para todos os livros e contos que escrever, detalhando o número de palavras escritas, se as ideias fluíram bem, se procrastinei muito. A experiência com As Joias do Caos foi muito interessante, por isso irei repeti-la e, semanalmente, postarei um resumo na seção Diário de Escrita, conforme prometido anteriormente.

Os outros pontos que levantei não estão relacionados à disciplina ou ao processo de escrita, mas à técnica e a gramática, e foram alguns dos deslizes que notei durante a revisão de meu primeiro livro:
  •  Usar outras conjunções além de “mas”, “porém” e “contudo”. Percebi que uso muito o “contudo”.
  • Melhorar as descrições. Apesar de ter escrito sobre o meu método de descrever personagens e ambientes, sinto que ainda preciso melhorar, fazer com que se intercalem com a ação de maneira ainda mais fluída.
  • Usar menos “embora”.
  • Usar menos “já que” e “a fim de”. Percebi que uso muito esses tipos de conjunções, apesar de conhecer várias com o mesmo significado.
  • Usar mais verbos de eloquência. Há alguns meses fiz uma lista enorme com diversos deles, mas esqueci da tal lista na afobação de escrever o livro. Sei que é para isso que existe revisão, mas tentarei me acostumar a variá-los mais durante a escrita.
  • Usar menos parênteses e travessões. Percebi que tenho mania de colocar informações adicionais entre parênteses ou travessões. Assim, procurarei reestruturar minhas frases e parágrafos de modo que todas as informações necessárias estejam lá, mas não entre parênteses (que muitas vezes tornam as frases longas demais). E mais uma vez usei parênteses.
  • Usar menos “também”. Acho que depois de “que” e “então”, é a palavra que mais uso.
  • Usar menos “estavam ______ndo” (complete com um verbo qualquer).
  • Parar de repetir “desse modo”.
  • Parar de repetir “então”. Existem palavras e expressões como “depois”, “em seguida”, “na sequência”, mas sempre me esqueço delas. Muitas vezes o “então” era até mesmo desnecessário, e a frase ficaria perfeita sem nenhuma dessas expressões.
  • Parar de fazer comparações com “como se”.
  • Usar menos “parecer” e “permanecer”. Fulano parecia irritado. Fulano parecia infeliz. Fulano parecia extremamente perturbado. Eu gosto muito de descrever um personagem sob o ponto de vista de outro (muitas vezes comparando ao que o próprio personagem pensa de si), porém o dono do POV muitas vezes só pode fazer suposições, por isso eu acabo usando muitas vezes o “parecia”. Quanto ao “permanecer”, não sei dizer o motivo exato de repeti-lo tanto. Mas frases como “fulano permaneceu em pé” e “fulano permaneceu em silêncio” são muito comuns em meus escritos.
Como puderam ver, aprendi muito enquanto escrevia meu primeiro livro. E quanto a vocês, escritores que perseveraram e terminaram um ou mais livros, o que aprenderam com eles?

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