26 de agosto de 2014

Resenha | A Batalha do Apocalipse

Título: A Batalha do Apocalipse
Autor: Eduardo Spohr
Ano de publicação: 2010
Editora: Verus
Número de páginas: 586
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Sinopse: Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o dia do Juízo Final. Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas, o dia do despertar do Altíssimo. Único sobrevivente do expurgo, o líder dos renegados é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na batalha do Armagedon, o embate final entre o Céu e o Inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro do universo. Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano; das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval. A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana, mas é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, cheio de lutas heróicas, magia, romance e suspense.

Há muitos anos Yaweh, o deus da luz, derrotou Tehom, a deusa da escuridão, e deu início à criação do mundo, incluindo os seres humanos. Findada a criação, Yaweh concedeu aos humanos o livre-arbítrio e se retirou para um descanso, deixando para os cinco Arcanjos a responsabilidade de cuidar de sua criação. O Arcanjo Miguel, porém, ficou enciumado com o livre-arbítrio dado aos humanos e por isso decidiu destruí-los.

Contudo, nem todos os anjos concordam com a destruição dos humanos, por isso Ablon reuniu um grupo de rebeldes e começou a conspirar contra Miguel e aqueles que lhe eram fiéis. Entretanto, eles foram traídos e, como castigo, condenados a vagar pela Haled (a Terra) até o dia do Juízo Final, presos a seus avatares (uma espécie de manifestação que os anjos utilizam para atuar no mundo material).

Com o passar dos séculos todos os Anjos Renegados morreram, exceto Ablon, que aguarda pelo dia em que Yaweh acordará e prestará o ajuste de contas — também chamado de dia do Juízo Final —, proporcionando punições para os que agiram mal e recompensas aos que foram bons. Junto com o dia do Juízo Final também se aproxima uma grande guerra entre os celestiais, em que os rebeldes se mobilizarão contra as forças do Arcanjo Miguel em prol da sobrevivência dos humanos.

O livro se desenvolve intercalando acontecimentos do presente com flashbacks que explicam alguns dos pontos centrais da trama. Esta, apesar de simples (especialmente considerando a premissa ambiciosa do livro) é bem explicada ao longo do livro. Os flashbacks são longos, divididos em subcapítulos, e muitas vezes se estendem em temas que não são tão relevantes, mas se ambientam em épocas e locais muito conhecidos e a caracterização histórica foi muito bem feita. Apesar de eles não serem muito relevantes, gostei bastante de lê-los.

O ritmo não é tão acelerado em algumas partes quanto em outras, e o começo apresenta diversos termos com os quais o leitor se demora a familiarizar. Mas a narrativa prende o leitor pela expectativa de desejar saber o que acontecerá a seguir, e em nenhum momento chegou a ser enfadonha.

O mundo criado pelo autor foi muito bem construído, com todos os termos e definições bem explicados ao longo da trama e uma mitologia bastante rica. São apresentadas diversas explicações para acontecimentos bíblicos, mas também para outros tipos de mitologia, como a existência de diversos deuses cultuados por alguns povos. Também há explicações lógicas para a feitiçaria, os poderes dos anjos (que são coisas distintas) e é feita uma diferenciação entre mundo material e mundo espiritual que julguei muito interessante. A leitura já vale a pena por esses detalhes.

Um dos pontos negativos do livro foram os personagens. Não senti tanto aprofundamento neles, nem mesmo em Ablon, o protagonista. Suas personalidades são definidas, mas não suas motivações e anseios — e acredito que, em uma trama como a que o livro apresenta, havia muito espaço para explorar diversos temas no que concerne à caracterização dos personagens.

O final me pareceu um tanto corrido em relação ao restante do livro, em especial nas lutas, que em sua maioria acabam rapidamente e são de fácil resolução. Algumas delas até mereciam uma melhor elaboração, por serem de importância central na trama. Além disso, o livro termina sem explicar muito bem alguns dos acontecimentos, e fiquei na dúvida se com o que foi feito o problema seria de fato resolvido.

Apesar dos pontos negativos, gostei muito do livro, em especial pela mitologia construída e pela ambientação histórica. Senti que o autor tem potencial, por isso investi na leitura de Filhos do Éden, uma trilogia que se passa no mesmo mundo. Eu recomendo para aqueles leitores que não veem problema em uma narrativa mais detalhista, com uma série de termos inventados pelo autor.

★ ★ ★ ★ ☆

Outros livros de Eduardo Spohr:
Trilogia Filhos do Éden:


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Um comentário :

  1. Eu adoro esse livro! Acho que o Spohr foi o primeiro autor dessa nova geração de escritores de fantasia que eu li. rsrs Louca para ler os demais livros dele. Abs!

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