3 de outubro de 2013

Opinião: Os Contos de Beedle, o Bardo

Os Contos de Beedle, o Bardo é um livro extra da saga Harry Potter, muito mencionado na saga, especialmente no último livro, As Relíquias da Morte. O livro reúne cinco histórias infantis do mundo bruxo, com alguns comentários bem interessantes de Alvo Dumbledore.

PS: esse artigo pode conter spoilers dos últimos volumes da saga Harry Potter.

O que achei mais interessante de observar nas histórias é que, embora sejam histórias curtas com enredos simples, falam sobre muitas das coisas que foram citadas ao longo da saga: a impossibilidade de se tornar invulnerável, mesmo com o uso da magia, e a impossibilidade de escapar da morte.

Dentre as histórias, as que mais gosto são A Fonte da Sorte e O Conto dos Três Irmãos.

A Fonte da Sorte narra a jornada de três bruxas e um cavaleiro trouxa até uma fonte cujas águas são milagrosas, desde que a alcancem até o pôr do sol. O que achei interessante nesta história é que a jornada até a fonte, e não a própria fonte, em si, foi o que resolveu as angústias das bruxas e do cavaleiro. Eles não sabiam que a fonte não era mágica. Ao passarem pelos desafios, elas se livraram daquilo que mais lhe afligiam: Amata teve de se livrar de todas as lembranças de seu antigo amante, e ao chegar à fonte, percebeu que na realidade nunca gostara desse homem. Asha, por sua vez, foi curada de sua doença por Athelda, e também não precisava da fonte. Athelda, porém, percebeu que, por ser capaz de curar a doença de Asha, poderia ganhar muito dinheiro, e se absteve de tocar a fonte. O cavaleiro então se banhou, e vendo que alcançara um feito que era para poucos, passou a acreditar em si mesmo. A mensagem que esta história nos passa é importante, e bastante interessante: você não precisa de uma fonte mágica para resolver seus problemas, é capaz de resolvê-los sozinho; basta acreditar em si mesmo.

O Conto dos Três Irmãos fala sobre a impossibilidade de escapar da morte. Ao construírem uma ponte para atravessar o rio, em vez de se afogar nele, os três deixaram a Morte zangada. Esta, porém, resolveu enganá-los, oferecendo-lhes presentes. O primeiro pediu uma varinha invencível, o segundo, uma maneira de ressuscitar aqueles que haviam morrido e o último, percebendo que a Morte tentava enganá-los, pediu uma maneira de sair dali sem que a Morte o seguisse, e ganhou uma capa de invisibilidade. A Morte enganou os primeiros dois irmãos, sendo que o primeiro foi morto por alardear que sua varinha, e consequentemente ele, eram invencíveis, e o outro se suicidou, pois aqueles que tentava trazer de volta à vida não estavam vivos, eram apenas impressões destes. O último, porém, utilizou sua capa para se esconder da Morte por muitos anos, até perceber que sua hora havia chegado. Devido a isso, teve uma vida e uma morte muito pacífica.

A mensagem passada pela história é clara: nem mesmo com toda a magia do mundo seria possível ressuscitar alguém — o máximo que se pode fazer é tentar adiar a morte, como fez o terceiro irmão. A história, porém, também fala de outras coisas. A varinha das varinhas, por exemplo, não era totalmente invencível. Foi possuída por muitos bruxos gananciosos, sendo que um vencia o anterior, muitas vezes chegando a matá-lo. Em minha opinião, não é a varinha que faz o bruxo invencível (ou pelo menos muito habilidoso, uma vez que também não é possível se tornar invulnerável, como abordado em outras historinhas), mas sim o próprio bruxo, se ele se empenhar nos estudos e praticar muito, ainda que tenha uma varinha comum. Quando à pedra, há, novamente, a mensagem de que não é possível reverter a morte — e que não vale a pena ficar pensando naqueles que se foram, mas sim aproveitar a sua vida.

A capa é o item mais interessante dentre todos, em minha opinião. Certamente me seria muito útil, assim como foi para Harry, e também não trouxe o tanto de confusão que a varinha das varinhas causou. É uma relíquia muito mais segura.

Outra coisa que acho interessante mencionar é que, em seus comentários sobre essa história, Dumbledore mencionou que a varinha das varinhas nunca teve uma dona, até onde se sabe, e que devemos tirar disso o que quisermos. Não sei qual foi a intenção da autora, realmente. Talvez ela quisesse que tirássemos nossas próprias interpretações. Em minha opinião, eu não precisaria de uma varinha especial para me tornar invencível; minhas próprias habilidades é que me tornariam invencível (ou ao menos chegariam perto disso). Ademais, uma habilidade não pode ser roubada, apenas adquirida, de forma que não faria sentido alguém me matar para possuir essa habilidade. Ao contrário de uma varinha invencível. Ela pode ser roubada, e se for, seu antigo dono deixará de ser invencível. Treinar para possuir maior perícia em magia é mais difícil que roubar uma varinha, entretanto, é mais garantido.

Na própria saga muitos cometeram esse erro. E também o erro de acreditarem que para possuir a varinha era necessário matar seu dono anterior. A varinha das varinhas foi tomada de Grindelwald por Dumbledore, quando este o venceu, acabando com o reinado desse bruxo das trevas. Então, em O Enigma do Príncipe, Draco Malfoy desarmou Dumbledore na Torre de Astronomia, tornando-se, sem saber, o dono da varinha das varinhas. Harry desarmou Malfoy em As Relíquias da Morte, e se tornou o dono da varinha. Voldemort, porém, pensou que Snape era o dono da varinha, por ter matado Dumbledore, e que teria sua posse se matasse Snape.

Na saga, novamente, aparece a mensagem: nenhum tipo de magia pode nos tornar invencíveis, ao contrário do que Voldemort pensava. Criar seis horcruxes e procurar a varinha das varinhas não impediu que ele morresse no final.


Eu já mencionei que, caso pudesse possuir uma das Relíquias da Morte, gostaria de ter a capa. E vocês? Comentem: se lhes fossem oferecidas as Relíquias da Morte, e tivessem de escolher uma, o que gostariam de ter?

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