17 de setembro de 2013

[Escrita] Apresentar um novo mundo ao personagem é necessário para fazer mistério?


Meu intuito neste post não é criar uma receita para introduzir o universo de sua história aos leitores ou para criar um clima de mistério. Tampouco dizer “não deixe seu personagem descobrir um mundo oculto”. É apenas um questionamento que tem passado por minha mente ultimamente, e resolvi falar sobre isso aqui.

Em diversas histórias (especialmente sagas) vemos um personagem vivendo uma vida comum, em um mundo comum. De repente, acontece alguma coisa e um novo universo (um mundo oculto) é apresentado a este personagem. Ele não sabe nada sobre esse mundo, então vai descobrindo conforme a história avança e outros personagens, menos ignorantes que ele quanto a esse assunto, vão lhe contando as coisas. O leitor também vai descobrindo os fatos ao longo da leitura, o que atiça sua curiosidade e o prende à história.

Vemos isso em Harry Potter, em Percy Jackson e em Instrumentos Mortais, dentre outras sagas. Não estou desmerecendo os autores ou suas histórias, tampouco dizendo que este método é ruim. Ele é tão bom quanto os demais, tudo depende de como a história é escrita e de quais são seus objetivos. E, de qualquer forma, não posso falar nada, uma vez que A Batalha das Fraternidades, a história que estou escrevendo, também se inicia desta forma.

É claro que cada autor teve seus motivos para iniciar a história assim. Os Dursley esconderam de Harry que ele era um bruxo e que Hogwarts existia, na vã esperança de fazer com que ele deixasse de ser bruxo. Quanto a Percy Jackson, é comum (e também mais seguro) que os semideuses não saibam nada sobre si e sobre o mundo grego, uma vez que seus familiares divinos não costumam fazer contato com os filhos ou lhes deixar uma explicação. Em Instrumentos Mortais, Clary teve suas lembranças removidas, uma vez que sua mãe queria protegê-la dos perigos do mundo dos Caçadores de Sombras.

As três histórias se assemelham neste ponto (embora seus enredos sejam essencialmente diferentes), e já vi muitas críticas a essas histórias devido a isto (principalmente comparando-as a Harry Potter, que é mais antiga). Não creio que essa semelhança seja algo que tire pontos de um livro (afinal, gosto de Harry Potter e, portanto, não acredito que parecer com Harry Potter seja algo ruim). De qualquer forma, sequer pensei nisso ao longo da leitura das outras duas sagas.

Minha história se inicia de maneira semelhante, pois quando comecei a escrevê-la era mais nova e acreditava que todas as histórias deveriam se iniciar desta maneira, quando havia um novo mundo para ser apresentado. De qualquer forma, A Batalha das Fraternidades é uma história sobre sociedades secretas, assim, seus membros não sairiam contando da existência dessas fraternidades para qualquer um (nem mesmo para a protagonista).

Contudo, a história poderia ter se iniciado de maneira diferente. Podia ter começado quando a protagonista já tinha idade suficiente para fazer parte dessa sociedade secreta, por exemplo, de forma que ela estaria a par de tudo. Na época em que comecei a história, porém, tinha 13 anos, e achei que seria conveniente ter uma protagonista com idade próxima à minha. De modo que a história se iniciou desta maneira.

Ainda assim, revelar os pormenores do universo que criou à medida que o protagonista o explora, para manter o mistério na história, não é a única maneira. Também é possível que o personagem conheça este mundo há bastante tempo, e ainda assim manter o ar de mistério. Isso acontece em Academia de Vampiros (de Richelle Mead), onde o livro se inicia quase que imediatamente com ação e todos os pormenores a respeito da escola São Vladimir e o mundo oculto dos vampiros nos é apresentado pela própria protagonista, Rose Hathaway, conforme avançamos pela história. E ela não é nem um pouco leiga a esse respeito.

Concluindo, não há nada de errado em apresentar seu universo da maneira como é feita em Harry Potter, entretanto, este não é o único meio, caso você acredite (como eu acreditava anteriormente) que esta é uma fórmula para escrever livros neste estilo. Existem outras maneiras, que podem ser inspiradas em outros livros ou criadas pelo próprio autor, utilizando-se de criatividade.

Isto é algo a que tenho me mantido atenta nestes últimos tempos, quando vou escrever novas histórias ou idealizar novos projetos.

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