15 de agosto de 2013

Resenha | Divergente

Título: Divergente (Divergente #1)
Autora: Veronica Roth
Ano de publicação: 2012
Editora: Rocco
Número de páginas: 502
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Sinopse (Skoob): Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto. A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é. E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

A história de Divergente é contada em primeira pessoa pela protagonista, Beatrice Prior. Ela tem 16 anos e vive na Abnegação, uma das cinco facções de que a sociedade supostamente perfeita é constituída. Na Abnegação estão aqueles que condenam o egoísmo e cultuam o total altruísmo — tentam manter uma aparência sem graça, não usam espelhos, sempre se oferecem a ajudar os demais, tudo para esquecerem de si mesmos e sempre pensarem no bem da sociedade. As demais facções são a Erudição, que preza a inteligência e a aquisição de conhecimento, a Amizade, onde todos são amigáveis uns com os outros, a Franqueza, onde a verdade vem acima de tudo e mentir é um erro imperdoável, e a Audácia, onde prezam a coragem. Há ainda os sem facção, aqueles que falharam no teste de iniciação da facção escolhida ou a abandonaram. São mal vistos pelos demais e até mesmo ignorados, e vivem em condições precárias, muitas vezes até mesmo passando fome.

Como tem 16 anos, Beatrice, assim como todos os jovens de sua idade, deverá passar pelo teste de aptidão, que lhe dirá a qual facção ela é mais apta a pertencer (embora possa escolher qualquer uma delas). Contudo, o teste aponta para mais de um resultado, e dizem à garota que ela é divergente. Ela não sabe o que isso significa, contudo, sabe que deve manter essa condição em segredo, uma vez que, por algum motivo, ser divergente é perigoso.

Assim, Beatrice deve se decidir entre as facções Audácia e Abnegação: se permanecerá com sua família em uma sociedade onde não se encaixa, uma vez que não consegue ser altruísta, ou se abandonará sua família para viver em uma facção em que pode ser ela mesma. Além de ter de fazer essa escolha, deve descobrir o que significa ser divergente e por que isso é perigoso. Ademais, ao longo do livro, nos são apresentadas pistas de que existe alguém conspirando para tomar o poder. Os responsáveis por deter o poder são os membros da Abnegação que, totalmente altruístas, são tidos como incorruptíveis. Obviamente, os membros das demais facções não estão exatamente felizes com isso.

O livro prende o leitor do início ao fim, com todos esses mistérios e bastante ação no final. Contudo, as descrições dos ambientes são bastante vagas, e às vezes é difícil conseguir visualizar os ambientes; em algumas cenas também falta elaboração: seriam mais marcantes e mais interessantes se tivessem um pouco mais de detalhes (a narrativa conta demais). Ademais, o uso de substâncias injetáveis para controlar cenas nas mentes das pessoas e às vezes até mesmo suas ações me parece algo um pouco forçado. Parece muito improvável, mesmo para o futuro, que seja possível criar uma substância capaz de criar alucinações tão controladas nas mentes das pessoas, ou capazes de forçá-las a não mentir.

Apesar disso, o mundo criado pela autora é interessante. Diferentemente de Jogos Vorazes (com o qual o livro é constantemente comparado), as pessoas não têm ciência de que sua sociedade possui algo de errado. Muitas delas são facilmente manipuladas pelas autoridades e pelas “simulações” (provocadas pelas substâncias injetáveis que citei acima) sem ao menos se dar conta disso. Isso foi algo que me chamou a atenção no livro. O que achei interessante também foi que as facções me lembraram as quatro casas de Hogwarts — embora não creio que isso deva ser chamado de plágio, afinal, esta é a única semelhança entre ambas as sagas. As pessoas pertencem às facções que representam suas aptidões, crenças e valores (assim como as casas de Hogwarts), e têm influência sobre o processo de escolha; não residem junto aos membros de determinada facção apenas por terem nascido em meio a eles.

Divergente não vai mudar sua vida nem seu modo de pensar, contudo, traz uma história interessante e uma sociedade razoavelmente complexa, que vai além das aparências, e o deixa ansioso pelo próximo volume.

★ ★ ★ ★ ☆

A trilogia:


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